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Atleta de Ourém que integra selecção nacional diz que há falta de condições para a prática da modalidade no nosso país
Pagou do seu bolso para representar Portugal nos Campeonatos Internacionais de Escalada

Ricardo Neves foi introduzido neste mundo ainda adolescente, por um professor de Matemática que fazia escalada e reconheceu nele capacidades físicas para esse tipo de desporto.

Edição de 2011-08-04
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Ricardo Neves, 27 anos, natural de Ourém, esteve entre os dias 13 e 26 de Julho em Itália, para os Campeonatos Internacionais de Escalada. Desde há muito amante deste desporto, lamenta a falta de condições para a prática da modalidade em Portugal. Integrou a selecção nacional portuguesa, mas teve que pagar a viagem do seu bolso, devido às fracas condições económicas da Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada. O seu objectivo por agora passa por entrar no curso superior de Desporto e Bem-estar, para um dia poder realizar o sonho de abrir um espaço dedicado à escalada.

“A escalada não é só um desporto, é um estilo de vida”, começa por sublinhar. Ricardo Neves foi introduzido neste mundo ainda adolescente, por um professor de Matemática que fazia escalada e viu nele os dotes físicos necessários para praticar a actividade. “Sempre me motivou bastante a competição”, explica, razão pela qual foi começando a ligar-se à modalidade a nível nacional.

“Aqui na zona só há condições para iniciados. Tenho treinado em casa de amigos, em Leiria. Mas continuamos a anos-luz de outros países. Esta experiência em Itália permitiu-me também ter essa dimensão. O que temos por cá são simplesmente paredes de escalada”.

Treina cerca de três horas, três vezes por semana, fazendo ainda cerca de duas horas diárias de treinos complementares, em corrida e ginásio. Aos fins-de-semana, pratica escalada pelo país. Como não existem grandes condições para a prática da modalidade, tanto faz escalada de interior, em paredes criadas para o efeito, como na natureza, em zonas rochosas. O seu grau de dificuldade vai já no 8B, um nível bastante elevado neste desporto.

Tem ficado nos pódios nas competições nacionais, pelo que foi chamado para a selecção nacional. Com a viagem para Itália já preparada, a Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada disse-lhe que não o poderiam levar por falta de meios. Preferiu ir e pagar do seu bolso, naquilo que considera ter sido uma boa oportunidade de aprendizagem. O grupo saiu de Portugal numa auto-caravana e foi escalando pela Europa até chegar a Itália.

“Fiz provas de Boulder (parede mais curta, em bloco), onde fiquei em 102 num âmbito de 134 competidores, e de Lead (vias de dificuldade), onde fiquei em 117 num âmbito de 130 atletas”. O nível da competição era muito elevado, diz. “Estamos muito aquém de outros países. Ninguém faz vida disto”.

Para já, quer continuar a ir às competições e tentar estar sempre no pódio. “Tornar a ir à selecção para poder no futuro incentivar os jovens e elevar este desporto. Gostava de um dia poder abrir um espaço para a modalidade, por isso agora quero investir nesta área, vou tirar o curso de Desporto e Bem-Estar no Instituto Politécnico de Leiria”. Pois “enquanto não houver condições para as pessoas se iniciarem não há motivação. Em Itália, por exemplo, as competições estavam a ser transmitidas em directo na televisão”.

O que é necessário para ser um bom escalador? “Tentar estar em forma, estar motivado e entre os melhores. Sou uma pessoa competitiva. É necessária técnica, coordenação motora, concentração. É preciso saber que o material é seguro para nunca ter medo”.

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