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Arquivo: Edição de 11-12-2008

Sociedade

Catálogo menciona cerca de 800 peças entre escultura, pintura, têxteis ou ouriversaria
Espólio artístico da Igreja da Piedade reunido em livro

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Para o historiador Joaquim Veríssimo Serrão o catálogo “Igreja de Nossa Senhora da Piedade. Santarém, História e Património” é uma “jóia da tipografia portuguesa”.

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O dia era de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, mas as honras foram todas para Nossa Senhora da Piedade, na Igreja da Piedade em Santarém. Ou não tivesse sido lançado nessa segunda-feira, 8 de Dezembro, o catálogo feito livro “Igreja de Nossa Senhora da Piedade. Santarém, História e Património”, o primeiro a reunir o espólio daquela igreja, num trabalho sem precedentes na Diocese. À frente dos trabalhos estiveram a conservadora/restauradora Eva Neves e o padre Joaquim Ganhão. “Este catálogo foi sobretudo uma corrida contra o tempo. Começámo-lo em Julho deste ano e acabámo-lo em Setembro, mas o inventário da igreja de Nossa Senhora da Piedade iniciámo-lo em 2006”, conta Eva Neves, coordenadora do projecto de inventariado da diocese de Santarém.

São entre 700 e 800 peças as que fazem parte do espólio total da igreja, entre escultura, pintura, têxteis, ourivesaria, joalharia, cerâmica, vidro, impressos e manuscritos. Algumas têm um valor incalculável, como o resplendor de Nossa Senhora da Piedade, uma peça do século XVII em prata dourada, diamantes, esmeraldas e rubis. “No geral, há muitas peças em mau estado cuja reparação é urgente. É preciso trabalhar no sentido de conservar preventivamente, evitando que a deterioração avance”, explica Eva Neves.

Brincos, coroas, gargantilhas, pulseiras, colares, pendentes, castiçais, custódias, cálices, pergaminhos, faianças, panos, alvas, galhetas, sacras, navetas e pinturas desfiam por este catálogo, anunciando um espólio surpreendente. “Estou muito surpreendido. Não sabia que esta igreja tinha um espólio tão grande e era tão rica”, comenta o historiador Joaquim Veríssimo Serrão, autor do prefácio. “Este catálogo é uma jóia da tipografia nacional. Fiz o prefácio com amor, é que na minha idade a ciência já não conta nada”, desabafa.

A Diocese de Santarém, em conjunto com a Polícia de Segurança Pública (PSP), tem em curso o projecto “Igreja segura, igreja aberta”, por isso prefere não revelar o valor das peças. “Temos um espólio precioso, que está acautelado. Mas achamos que a melhor maneira de preservar o património é dá-lo a conhecer. E este trabalho de inventariação vai todo nesse sentido”, revela o padre Joaquim Ganhão. Um trabalho que já se estendeu entretanto ao paço episcopal, à Sé Catedral e ao Santuário do Milagre.

Setecentos mil euros foi investimento total deste catálogo, apoiado pela Aproder, Câmara de Santarém e algumas empresas da região. “Trabalhamos muito e bem, mas com pouco dinheiro”, refere o padre Joaquim Ganhão, que pretende com este trabalho “incutir no seio da população a capacidade de esta zelar e proteger o património, promovendo a conservação, o restauro, e a segurança do mesmo”, prossegue.

A igreja católica é detentora de quase 80 por cento do património artístico em Portugal. Para o bispo da diocese, D. Manuel Pelino, este catálogo é uma forma de facilitar o acesso à arte, tornando-a mais eloquente. “A arte, tem sido ao longo dos tempos a grande linguagem da Fé. Espero que este exemplo seja seguido por muitas mais igrejas”, avança.

Para o presidente de Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, este é um estímulo importante para a cultura e turismo em Santarém. Bem como a criação do Museu diocesano, no rés-do-chão do antigo seminário de Santarém - um projecto rejeitado recentemente pela Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Alentejo. Apesar do chumbo, por “argumento mínimos”, segundo o padre Joaquim Ganhão, autarquia e diocese estão empenhadas. “ Estamos a trabalhar nesse sentido. Para o ano talvez haja notícias”, refere Moita Flores.

O preço do catálogo é de 25 euros e conta com a colaboração de nomes como Luís Nazaré Ferreira, Leonor Sá, Vítor Serrão, João Soalheiro, Mara Covas, Nuno Leal, Eva Armindo, Alexandre Pais, Rui de Carvalho, André Remígio e Eva Neves.

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