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Especial Festa do Vinho

O único equipamento do género existente em Portugal já está no terreno
Plantar vinha com a ajuda de um satélite

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A “ Vignoble” é uma máquina plantadora que veio revolucionar a agricultura nacional, particularmente na plantação de vinha, fazendo o trabalho mais rápido e com menos custos. É a única existente em Portugal, chegou há um mês e já tem clientes de norte a sul do país.

Edição de 2007-04-25
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As movimentações dos dois homens, confortavelmente sentados na parte de trás da máquina, são precisas e sincronizadas. O da esquerda coloca o bacelo, o da direita o tutor de marcação em bambu. À frente, ao volante, segue o “patrão”, responsável pelas coordenadas da única máquina existente em Portugal que faz plantação de vinha por satélite.

António Jorge conheceu a Vignoble, a máquina plantadora que promete revolucionar a agricultura nacional, numa feira tecnológica em França e foi amor à primeira vista. O jovem de Tomar formado em ciências agrárias voltou para casa, fez contas, encetou contactos com possíveis clientes e, meses depois, acabou por adquirir a máquina então exposta na feira de Saragoça (Espanha). O investimento de 150 mil euros feito através da banca.

O tractor tecnológico percorre os hectares de terreno propriedade da Sociedade Agrícola Quinta das Casas Altas, em Casével (Santarém), num vai e vem constante, sob o olhar atento de Alexandre Gaspar. O jovem empresário mostra-se satisfeito por ter entregue a plantação da sua vinha, casta cabernet sauvignon, nas mãos de António Jorge. “Fazer este trabalho manualmente é quase impensável hoje em dia, devido aos custos da mão-de-obra e ao tempo que demora”, considera.

O que levaria horas de trabalho braçal faz a máquina em minutos, graças ao facto de concretizar quatro actividades em simultâneo - a marcação prévia no terreno, a colocação da planta, a colocação do tutor (cana, bambu ou pau tratado que apoia a planta no seu crescimento) e a rega.

A máquina precisa de apenas três pessoas para plantar 14 a 15 pés de vinha num minuto. “Para plantar estes pés no mesmo período de tempo seriam necessárias mais de 15 pessoas. Umas para esticar cordéis de alinhamento, outras para plantar as cepas, outras atrás a colocar as canas e outras ainda a regar. E depois há que contar com o tractorista e os motoristas dos carros para trazer o material e a cisterna de água”, refere o dono da Vignoble. Há um quarto elemento mas que, em termos técnicos, não é necessário. António Jorge contratou-o apenas para endireitar uma cana ou outra e dar apoio logístico. “É uma questão de puro brio. Ou se quiser de rigor levado ao extremo, porque a credibilidade do nosso trabalho é ponto de honra”.

O funcionamento da máquina é simples. Monta-se a chamada base, um tripé com uma antena. Através dessa antena, cujas referências são captadas por satélite, a base transmite - posteriormente à inserção de alguns dados num minicomputador instalado na máquina - a situação onde ela tem de se colocar no terreno para a vinha ficar perfeitamente alinhada.

“Existe uma relação entre o satélite, a base e o computador que faz com que nada falhe. Por exemplo o cliente diz-nos que quer uma distância de 95 centímetros entre cada cepa e 2,5 metros de largura de corredor. Inserimos esses dados no computador, que os envia para a base e, depois de os tratar, a base envia-nos os parâmetros certos, com o alinhamento preciso da máquina e de colocação de cada planta”, refere António Jorge.

A máquina trabalha à unidade. O preço é feito em função do compasso e da densidade por hectare. No caso da vinha, normalmente o compasso é de três por um (três mil plantas por hectare). No caso de um olival, por exemplo, o compasso é de seis por seis o que dá apenas 200 ou 300 plantas por hectare e, por isso, o valor é também diferente.

Na plantação de vinha o preço é sempre um factor concorrencial. O cliente paga 20 centímos por cada bacelo que é colocado, enquanto manualmente cada peça custa 30 centímos, com um acréscimo substancial de tempo. “Com a máquina estamos a plantar cerca de seis mil pés por dia. À mão isso é tarefa impossível”.

Além da vinha a Vignoble planta também olival, árvores de floresta e todo o tipo de pomares. As funcionalidades da máquina já chegaram a todo o país, apesar de só ter chegado a Portugal há cerca de um mês. Quando acabar de plantar a vinha em Casével, António Jorge já tem trabalho à espera no Alentejo (plantação de olival), no Ribatejo e no Norte do país (vinha, em ambos os casos).

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