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Arquivo: Edição de 30-08-2006

Sociedade

Camiões continuam a passar a ponte de Constância, apesar da interdição a pesados
Pagar multa compensa

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Há camiões a desrespeitar a sinalização de interdição a veículos com peso superior a 15 toneladas e a atravessar diariamente a ponte de Constância. Porque os 30 euros de multa compensam mais que dar uma volta de 20 quilómetros.

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Segunda-feira, 21 de Agosto, cinco da tarde. Uma fila de carros aguarda que o sinal fique verde à entrada da velha ponte rodo-ferroviária de Constância. A comandar a fila um camião, com semi-reboque, carregado de toros de madeira.

O motorista passou segundos antes pela placa de sinalização que proíbe a circulação na ponte a veículos com peso superior a 15 toneladas. Mas arrisca a travessia, mesmo sabendo que está a infringir a lei.

Como ele fazem semanalmente dezenas de camionistas desde que, a 10 de Julho, os municípios de Constância e Vila Nova da Barquinha decidiram fechar a ponte a pesados, por razões de segurança.

As empresas que laboram na região e os seus fornecedores preferem pagar uma multa que desviar o trajecto dos camiões cerca de 20 quilómetros para atravessar o rio Tejo. É o próprio comandante do posto de Constância da GNR quem o afirma.

“Já apanhámos vários motoristas que nos dizem preferir pagar a coima que ir dar uma volta maior para atravessar o Tejo”, referiu a O MIRANTE o sargento-ajudante Lopes. De cada vez que um veículo é apanhado a atravessar a ponte o condutor é autuado em 30 euros, a coima prevista para este tipo de situações.

“É uma situação simples de desrespeito ao Código da Estrada”, refere o comandante da GNR de Constância, adiantando que o sinal de proibição está bem visível. Em declarações ao nosso jornal o ajudante Lopes adiantou ainda que aquela força policial está sensível à questão e que pelo menos duas vezes por dia há guardas a fiscalizar a travessia.

Apesar de, como salienta o responsável, a área da GNR abranger não só Constância mas também Montalvo e de os homens não serem muitos. “Não podemos pôr um homem a vigiar a ponte 24 horas”, refere, adiantando ainda que pelo menos três vezes por semana têm realizado operações Stop junto à ponte.

Também a Câmara de Constância tem disponibilizado alguns funcionários para supervisionar a travessia. O presidente do município, António Mendes (CDU), refere no entanto ser impossível apanhar todas as situações de desrespeito e alerta à sensibilidade e responsabilidade de quem prevarica.

“A continuação de passagem de pesados pela ponte põe em causa os objectivos de longevidade que queremos que ela tenha”, disse António Mendes, ressalvando que mesmo que ali passe só um camião por mês esse objectivo deixa de ser cumprido.

Além disso há a questão da segurança, razão pela qual aliás a ponte foi interdita a veículos pesados. Uma inspecção feita em Abril deste ano pela empresa Estradas de Portugal concluiu que a conservação da travessia está agora no grau quatro, o último patamar antes da pré-ruína.

“Se os camiões teimarem em passar e acontecer uma catástrofe como a de Entre-os-Rios, ainda bem presente na memória dos portugueses, a quem é imputada a responsabilidade?” questiona o comandante da GNR de Constância. Que adianta: “Nesse caso o contacto com a outra margem perde-se para sempre”.

Margarida Cabeleira

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