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Arquivo: Edição de 14-06-2006

Sociedade

Lote abandonado motiva preocupações a moradores do Bom Sucesso, Alverca
Um matagal à porta de casa

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Moradores do Bom Sucesso, Alverca, vivem paredes meias com um lote abandonado que abriga ratos, répteis e insectos. Pediram ajuda à câmara, mas não obtiveram resposta tal como a nossa reportagem.

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Os moradores das ruas 25 de Abril e 1º de Maio, no Bom Sucesso, em Alverca, estão preocupados com o matagal que cresce num lote abandonado, junto aos prédios onde habitam. Para além do local ser um antro de répteis, ratos e insectos, os moradores temem que todo aquele mato e lixo possam constituir um rastilho para um incêndio. Já pediram ajuda à junta de freguesia, mas a autarquia diz que nada pode fazer porque o terreno é privado. Só a câmara municipal tem competência para intervir mas até ao momento não deu resposta aos moradores nem ao nosso jornal.

Segundo os moradores, o lote situado entre os números 26 e 30, na rua 25 de Abril, é propriedade de dois irmãos, que estarão em fase de partilhas, desconhecendo como contactá-los.

O matagal foi cortado recentemente, mas o lixo proveniente da desmatação não foi retirado, estando também o terreno a servir de lixeira a alguns moradores que atiram pela janela os sacos do lixo para o terreno, em vez de os colocar nos contentores apropriados.

“Isto já está assim desde que vim para cá viver há oito anos”, afirma Paulo Rodrigues, residente no n.º 30 da rua 25 de Abril. Conta que os moradores chegaram a cortar uma grande quantidade de canas, que já estavam à altura do primeiro andar do prédio, “com receio que houvesse um incêndio que poderia danificar o isolamento de protecção da empena”, justifica, acrescentando que “retirámos duas camionetas de canas...”

Luís Martins, residente no mesmo prédio, afirma que “já fui à junta de freguesia solicitar ajuda para resolver esta situação mas responderam-me que não podiam fazer nada porque o terreno é privado e depois ninguém pagava à junta o trabalho de limpeza”, conta o morador, bombeiro de profissão, temendo também que o mato e o lixo acumulados no terreno junto ao prédio onde mora, sejam um foco de incêndio.

“Eu e um vizinho já apanhámos nos nossos quintais cobras e ratos. Limpámos parte do terreno mas desistimos porque os outros moradores não aderiram“, explica João Carlos Filipe, residente no nº 24 da rua 1º de Maio, que tem o quintal encostado ao terreno que está a motivar os receios dos moradores.

“Mandei para a câmara municipal por e-mail fotos e expliquei o que se estava a passar, mas não obtive resposta”, lamenta o morador que, segundo nos informou, também contactou a delegação de saúde.

Para agravar a situação, o lote desocupado foi recentemente vedado, do lado da rua 25 de Abril, na sequência de uma queda sofrida por um transeunte. “Um morador que ouviu os pedidos de socorro do homem que estava caído, tapado por matagal, é que chamou os bombeiros que tiveram sérias dificuldades para o retirar”, conta um dos moradores, temendo que, em caso de incêndio, os bombeiros tenham dificuldade em atacar o fogo.

O presidente da Junta de Freguesia de Alverca, quando foi contactado por O MIRANTE não tinha presente a situação relatada pelo nosso jornal, mas adiantou que “existem diversos casos de lotes abandonados no Bom Sucesso”

Afonso Costa, esclareceu que só a fiscalização municipal tem competência para intervir nestes casos e “sempre que são detectados informamos a câmara municipal para que lhe seja dado o devido seguimento”, afirmou o autarca de Alverca.

O MIRANTE contactou, há mais de uma semana, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, através do gabinete de imprensa, para obter esclarecimentos sobre a situação mas, tal como os moradores, não obtivemos qualquer resposta.

José Bernardes

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