Arquivo: Edição de 18-01-2006
SociedadePresidente da Freguesia de Alviobeira insurgiu-se contra o presidente da Câmara de Tomar
Fecha a escola, fecha a junta
“No dia em que fechar a escola de Alviobeira a junta de freguesia fecha também a porta e entrega as chaves ao senhor presidente da câmara”. Foi deste modo que o presidente da Junta de Freguesia de Alviobeira, Tomar, se manifestou na última sessão da assembleia municipal, realizada sexta-feira passada.
Em causa estava a discussão e votação do ponto 3 da ordem de trabalhos – a avaliação das consequências dos protocolos assinados entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) para o 1º ciclo do ensino básico.
Fernando Nunes (PS) insurgiu-se contra o executivo municipal pela não assumpção de compromissos relativamente à escola primária de Alviobeira, uma das que poderá encerrar caso a câmara subscreva o acordo entre o Governo e ANMP, que prevê, entre outras questões, o encerramento de escolas com menos de 20 alunos.
“Há 12 anos que ando a pedir à câmara para criar condições de fixação de alunos na escola de Alviobeira e, porque nada foi feito, hoje corre-se o risco da freguesia deixar de ter ensino básico”, disse, exaltado, o presidente da junta.
Que foi mais longe, ao garantir ao presidente da câmara que, no dia em que fecharem as portas do estabelecimento de ensino, entregará as chaves da junta a António Paiva (PSD).
A escola do 1º ciclo do ensino básico de Alviobeira é actualmente frequentada por 16 crianças. Que têm de ir almoçar a casa pelo facto de o estabelecimento não ter condições para criação de um refeitório. A falta de condições físicas leva também a que não possa haver ali actividades de tempos livres. Nem espaço para um jardim-de-infância.
Há mais de uma década que a junta reivindica a construção de mais duas salas de aula - uma polivalente, outra para albergar um jardim de infância – e uma cozinha.
Em 2003 foi prometido por António Fidalgo, então vereador com o pelouro da educação, a construção das infra-estruturas necessárias à fixação dos alunos. Houve reuniões com a junta, a assembleia de freguesia e a associação de pais e chegou a fazer-se um projecto de obras, que está na gaveta do actual executivo.
A junta até estava disposta a comparticipar as obras mas o então vereador garantiu a Fernando Nunes haver financiamento camarário para o projecto.
Só que António Fidalgo deixou a vereação e a câmara “demitiu-se” do compromisso assumido, tendo apenas executado a vedação exterior do espaço e pintado o edifício. Obras “de fachada”, na opinião do presidente da Junta de Alviobeira.
Na última assembleia municipal Fernando Nunes disse que se a escola de Alviobeira só tem 16 alunos deve esse facto ao presidente da câmara.
“Temos outros tantos alunos que embora vivam na aldeia estão a estudar na Igreja Nova (concelho de Ferreira do Zêzere), na Torre (freguesia de Casais) e em Tomar, devido à falta de condições da nossa escola”, disse, lembrando ainda o encerramento, no ano passado, da escola de Ceras.
Acusando António Paiva de querer acabar, “mais cedo ou mais tarde”, com a freguesia, António Nunes lembrou que muitos pais já estão a reconstruir as suas vidas nas freguesias onde puseram os filhos a estudar.
Esta situação deve-se não só à falta de condições da escola mas também a um Plano Director Municipal (PDM) “absurdo”, que tem impedido na freguesia a construção de dezenas de habitações permanentes.
Apesar da exaltação da sua intervenção, o presidente da junta acabou por votar favoravelmente o ponto em discussão, aprovado por unanimidade. “Não queria ser o único a estragar a festa”, acabou por dizer a O MIRANTE.
Margarida Cabeleira
