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Curso de massagistas pretende aumentar a formação de quem trata da saúde aos atletas do distrito
Os “homens” do spray “milagroso”

Muitas vezes as funções desempenhadas por "curiosos"
Muitas vezes as funções desempenhadas por "curiosos"

São setenta os participantes que estão a frequentar o curso de massagista desportivo promovido pela Associação de Futebol de Santarém, que assim pretende aumentar os conhecimentos de quem trata da saúde aos atletas. Com a presença de vários especialistas nacionais, o curso está a agradar aos formandos, que vieram de todo o distrito e de várias modalidades, embora maioritariamente do futebol.

Edição de 2003-03-27
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Os massagistas são talvez os elementos menos conhecidos das equipas, mas desempenham uma missão fundamental na recuperação dos “artistas” e na estrutura do clube. Sempre que a vedeta “torce uma unha” e rebola no chão, mesmo que seja só para enganar o árbitro e arrancar um penálti, uma falta perigosa, ou mesmo um cartão amarelo ou vermelho para o adversário, lá estão eles prontos a fazerem um sprint vigoroso e, quanto mais não seja, aplicar o chamado spray milagroso, que “cura” quase todas as mazelas.

Mas se nos clubes de maior dimensão já é normal haver pelo menos um massagista credenciado, nos clubes amadores essa missão é geralmente desempenhada por um curioso, que, munido da embalagem de spray, de um saco de gelo e de umas ligaduras e adesivo, tenta aliviar a dor ao atleta para que ele possa prosseguir a jogar.

No distrito de Santarém, o último curso de massagistas fora feito em 1988, pelo que não é de estranhar que agora se tenham inscrito 70 formandos. Segundo o Coordenador Técnico Distrital da Associação de Futebol de Santarém (AFS), Luís Filipe Júlio, destas sete centenas de participantes cerca de oitenta por cento não tinha qualquer formação na matéria, o que revela a importância do curso.

Os participantes vêm de todo o distrito e de todo o tipo de equipas, dos seniores, aos iniciados, passando pelo futsal e por modalidades como a ginástica ou as artes marciais. O curso tem uma componente mista prática e teórica e no final todos os formandos vão frequentar um estágio de um mês, em que irão aprender com massagistas credenciados.

Entre os especialistas que vieram ou ainda virão ao curso contam-se Rodolfo Moura (fisioterapeuta do Sporting), Mariano Barreto (licenciado em Educação Física e fisioterapeuta de vários clubes), Luís Horta (médico e director de Serviços de Medicina Desportiva do IND e responsável pelo controlo anti-doping), Carlos Hipólito (médico), José Lourenço (mestre em ciências de enfermagem), Mário André (enfermeiro e massagista do Sporting) e Luís Filipe Júlio (mestre em psicologia do desporto).

O curso aborda, entre outras temáticas, áreas e conteúdos como a anatomia do aparelho locomotor, fisiologia cardio-respiratória, primeiros-socorros, doping, psicologia das lesões desportivas, traumatologia, lesões mais comuns, recuperação em campo após lesão, técnicas de massagens, ligaduras funcionais, departamento médico, exame médico desportivo, a mala de massagista e a relação com outros agentes desportivos, como por exemplo o árbitro.

Um massagista que é dermatologista

Oleg Lavriv, um cidadão ucraniano, é médico especializado em doenças de pele, acupunctura e medicina chinesa, mas actualmente trabalha em Portugal como jardineiro e cuida do físico dos jovens jogadores do Desportivo de Samora. Esta foi a única forma que encontrou para não perder o contacto com a saúde que motivou mais de 20 anos de intensos estudos e formação.

Oleg tem 37 anos, chegou a Portugal há pouco mais de dois anos, mas já conquistou dezenas de jovens jogadores e restante grupo de trabalho do Grupo Desportivo de Samora Correia. O massagista Oleg está sempre atento aos treinos e aos jogos e quando há uma lesão, lá está ele pronto a aplicar o spray milagroso que tira as dores ou a barra de gelo que ajuda a resolver muitas situações de traumatismos e inflamações. Os casos mais complicados são tratados no posto médico onde há um conjunto de equipamentos satisfatório. “O clube é pobre e não tem tudo, mas chega. Na Ucrânia também temos dificuldades”, referiu, enquanto observou o joelho de Bruno, um dos lesionados da equipa de juvenis do Samora.

No campo de jogos da Murteira, ninguém o trata por doutor e até os infantis chamam-no pelo nome. “Eu gosto assim. São muito meus amigos. Gosto muito de estar aqui”, disse. O massagista é um adepto entusiasta do Samora e confessou que sofre muito quando está no banco. “Eu quero que eles tragam a vitória. Quando marcam golo eu gosto”, disse.

O médico foi descoberto pelo treinador dos juvenis, Rui Conceição, conhecido por “Carapau”. O técnico conheceu Oleg e julgou que tinha ali um bom parceiro para acompanhar o físico dos atletas em formação. “Ele é muito boa pessoa e muito educado. Estuda muito e procura estar sempre actualizado”, disse o treinador.

O futebol não é só para homens

Brigitte Marques, Rita Faustino e Patrícia Alves são da Linhaceira, concelho de Tomar, e as duas últimas jogam na equipa feminina de futsal da localidade, que está a disputar o distrital de seniores da Associação de Futebol de Santarém.

A inexistência de alguém na equipa para desempenhar a função de massagista fez com que as três se inscrevessem no curso, que dizem estar a gostar bastante. Brigitte Marques, a única que não joga, costuma ser a “fisioterapeuta” de serviço, mas confessa que quando entra para assistir uma colega às vezes nem sabe bem o que há-de fazer primeiro.

“Antes só punhamos gelo, agora já aprendemos outros pormenores”, conta Patrícia, que diz que uma das coisas mais complicadas era analisar a situação da colega lesionada. Spray e ligaduras são agora outras “ferramentas” de trabalho.

Desengane-se quem pense que esta coisa das massagens é só para homens porque as três querem levar o curso até ao fim, embora reconheçam que ainda há muitos preconceitos a eliminar até que seja normal uma equipa masculina ter uma massagista mulher.

Um massagista que põe jogadores a fugir

Rui Tanqueiro é massagista do Moçarriense há três anos e de alguma forma sintetiza o percurso de vários colegas ao serviço de outras equipas do distrital. Começou a ir ver regularmente os jogos do clube e pouco tempo depois entrou para a direcção. Como não havia massagista, começou a exercer a função, embora confesse que não tinha qualquer formação. “Aplicava gelo e punha spray e quando havia uma lesão mais grave mandava a um massagista de Santarém que era o massagista principal da equipa”, conta.

Até hoje nunca teve pela frente nenhum jogador com uma lesão mais grave e no clube até há quem diga que só para fugirem às suas massagens os jogadores quando o vêem entrar em campo ficam logo “curados”. “A relação dos jogadores comigo é excelente. Temos paródia todos os fins de semana e quando me vêem entrar em campo fogem todos com medo”, diz em jeito de brincadeira.

Sobre o curso de massagistas, Rui Tanqueiro confessa que já aprendeu várias coisas, sobretudo nas aulas práticas, quer aprender mais, mas para já não pensa em dedicar-se mais a sério a esta actividade. Para o futuro não põe de parte a possibilidade de tirar também um curso de treinador e, quem sabe, qualquer dia não assumirá o papel principal no banco de suplentes.

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