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Carlos Manuel Fernandes tem 60 anos e é presidente dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira
O dirigente associativo que não conhece a palavra desistir

A história profissional de Carlos Manuel Fernandes dava um livro. Começou a trabalhar no vidro na Marinha Grande. Foi militar nas colónias, serralheiro na central termoeléctrica do Carregado e dirigente em seis associações. É um apaixonado por poesia, gosta de cantar o fado e vive em Vila Franca há 37 anos.

Edição de 2012-11-08
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O presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira é um homem que não conhece a palavra desistir, desde que começou a trabalhar, aos 13 anos.

Carlos Fernandes é filho de uma família pobre da Marinha Grande. Desde os 13 anos que trabalha e sabe dar o valor ao que se consegue na vida. Trabalhou em fábricas do vidro, moldes de plásticos, serralharia e até foi duas vezes às colónias no tempo da guerra como mecânico de helicópteros. É uma pessoa reservada com uma longa história profissional. Vive há 37 anos na cidade de Vila Franca, uma terra que já considera sua.

Carlos Manuel Fernandes nasceu em 1952 na Marinha Grande. Frequentou a escola primária, o pai era sapateiro e quando este foi trabalhar para uma fábrica de plásticos o patrão pagou os estudos a Carlos Fernandes num externato privado. “Sentia-me mal ali, estava rodeado dos meninos ricos”, recorda. Aos 13 anos foi obrigado a ir trabalhar para ajudar a casa. Naquele tempo as peixeiras de Vieira de Leiria percorriam 17 quilómetros com a canasta na cabeça até à Marinha Grande para vender peixe. “Eram tempos difíceis. Por isso é que hoje é um contra-senso falar-se em crise. Hoje os jovens não imaginam o que eram as dificuldades”, confessa.

A sua primeira bicicleta veio do ferro-velho e não tinha selim. Começou a trabalhar numa empresa de vidro como tarefeiro. “Eu era o que se chamava de ‘levar acima’. Era o trabalho mais duro e difícil que havia. Tinha de agarrar nas garrafas que eram feitas e levá-las a correr para dentro de uma estufa, porque se demorasse muito tempo o vidro estalava e a garrafa rebentava pelo caminho”. Ganhava 25 tostões, pouco mais do que um cêntimo. Não quis voltar a estudar e entrou numa fábrica de moldes para plásticos. “Naquela altura tínhamos os empregos que queríamos. Quem era bom safava-se. Não havia medo de sujar as mãos”, conta.

Mais tarde conheceu um amigo que o convenceu a ir para a Força Aérea. Entrou na base da Ota (Alenquer) como especialista e acabou como mecânico de helicópteros em África. Esteve em Moçambique e Angola. “Quando se deu o 25 de Abril tivemos de sair à pressa. Tudo ao molho e fé em Deus. Ainda consegui trazer algumas coisas minhas e de outras pessoas que me pediram, porque vim cá duas vezes trazer helicópteros num avião fretado ao Canadá. Deu para enfiar mais coisas junto dos helicópteros, como máquinas de lavar e motas. Mas houve gente a vender tudo ao desbarato porque não podia trazer nada, foi mau”, recorda.

Casou-se e veio morar para Vila Franca, onde ainda hoje se encontra. Começou a servir na base do Montijo e comprou um Simca Aronde que se incendiou em frente ao mercado pouco tempo depois do negócio. Através de outro amigo soube de uma vaga para serralheiros na central termoeléctrica do Carregado, da EDP, onde entrou e ficou até à pré-reforma. Ao longo da vida dedicou-se aos corpos dirigentes de seis associações. “Gostava de ter tido um trabalho na área do desenho”, conta o dirigente, que é também um apaixonado pela poesia e que gosta de cantar fado.

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