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O percurso profissional de Carlos Batista, dono da construtora Tecnorém, é diversificado
De professor a empresário da construção civil

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Foi engenheiro numa câmara, professor de Ciências da Natureza e oficial miliciano antes de criar a sua própria empresa.

Edição de 2010-04-28
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Carlos Batista, 55 anos, é empresário de construção civil de uma das maiores firmas da zona de Ourém, a Tecnorém. Considera-se ambicioso, de trato fácil e solidário com os seus funcionários. Longe vão os tempos em que se dirigia ao Terreiro do Paço e por ali se deixava ficar na esperança de conseguir emprego. Lembra que o terror da sua geração era o embarque para a Guerra do Ultramar. Sentiu na vida profissional as transformações do pós 25 de Abril e afirma ter aprendido muito com todos os que conheceu nessa época. Ao longo do seu percurso, nunca esqueceu os bombeiros.

Tem as características de um homem que se fez a si próprio e que quase sem se dar por isso foi assumindo posições de chefia. Natural de Corredoura, Ourém, formou-se no Instituto Superior de Engenharia em Lisboa. Estava no segundo ano do curso quando se deu o 25 de Abril. “O meu primeiro emprego foi depois da revolução, com apenas 20 anos, na Escola Preparatória de Ourém”, lembra. Um jovem sem experiência, que durante ano e meio ensinou a outros jovens, de 12 anos, Ciências da Natureza e Matemática. “Tinha um certo bichinho para dar aulas”, refere, “tive pena de não seguir a carreira de professor”.

Recorda essa época sobretudo pelas pessoas que com ele conviveram, colegas de trabalho com “muitos conhecimentos”, saneados de cargos administrativos. Uma experiência “muito porreira”. Do seu primeiro ordenado, cerca de 10 mil escudos (50 euros), comprou “livros caros”, como era seu hábito. “Comprei o Neufert”, uma referência ainda hoje nos livros de arquitectura, e que lhe levou cerca de 2 mil escudos (10 euros).

Entretanto tira um bacharelato em Engenharia. Num tempo de grandes transformações, não esteve com meias medidas e foi “directamente ao Terreiro do Paço e sentei-me lá à espera que me arranjassem emprego nalgum lado”. Ao fim de pouco tempo foi colocado na Câmara Municipal de Alenquer, onde trabalhou um ano como engenheiro técnico. “Nessa altura era aliciante trabalhar, havia muitas reformas e possibilidades” num país que tinha tudo por fazer. “Eu dormia num quarto junto à câmara, estava sempre lá”, recorda rindo.

Deixa esse emprego para ir trabalhar noutra empresa. Em 1978 é chamado para o serviço militar e durante 18 meses é oficial miliciano de Engenharia na Escola Prática de Engenharia de Tancos. Do quartel sai com o curso de sapador de engenharia.

Terminado o serviço militar, inicialmente adiado com a universidade, também como fuga à Guerra do Ultramar, inicia o seu percurso pela construção civil. Na empresa de construção “Acasol” entra primeiro como funcionário e mais tarde torna-se sócio-gerente. Por ali se manteve até 1989, tirando paralelamente a licenciatura em engenharia civil. Nasce então a Tecnorém, primeiro como sociedade limitada, actualmente como sociedade anónima.

Pelo caminho continuam os cursos de formação. “Acho que ainda tenho que crescer muito mais”, refere, declarando que o seu desejo é transformar a sua empresa numa referência nacional.

Desde a década de 80 vai mantendo ainda a actividade nos Bombeiros Voluntários de Ourém. “Os miúdos aqui em Ourém sempre gostaram dos bombeiros e desde pequeno que ia para lá”. Aos 24 anos tornou-se presidente da direcção e até hoje passou por todos os cargos de chefia, inclusive como vice-presidente na Liga dos Bombeiros Portugueses.

Questionado se alguma vez se sentiu explorado, destaca que “ainda hoje” se sente explorado, “nos impostos que pagamos, nas áreas financeiras”. Ao seu serviço no grupo tem 210 trabalhadores. Enquanto patrão descreve-se “solidário” com os funcionários, preocupando-se com a manutenção dos postos de trabalho.

Com satisfação, lembra a experiência enquanto jovem engenheiro, vendo crescer projectos de grande dimensão que tinham sido colocados à sua responsabilidade. De momentos menos bons, recorda a queda iminente de uma grua em dia de tempestade e de um homem que morreu à sua frente na construção de uma obra. “À partida, todas as pessoas para mim são importantes e são boas”, afirma. Mas “qualquer tipo de traição comigo é muito complicado”.

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