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Arquivo: Edição de 11-03-2010

Sociedade

Tatiana, Filipe e Soraia estão longe de casa há quase dois anos e ainda não existe data para voltarem
Regulação do poder paternal de crianças de Foros de Salvaterra decide-se esta quinta-feira

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Mãe das crianças tem esperança que nesta sessão o juiz do Tribunal de Menores de Vila Franca de Xira autorize regresso dos filhos a casa.

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Ansiedade é o sentimento que melhor define o espírito de Marília Batista nas últimas semanas. A mãe de Tatiana, Filipe e Soraia tem contado os dias até esta quinta-feira, 11 de Março, data em que está marcada a audiência no Tribunal de Menores de Vila Franca de Xira para decidir a regulação do poder paternal. Marília Batista tem esperança que nesta sessão o juiz junte também o processo do regresso dos filhos a casa. “Acredito que a situação dos meus filhos voltarem para casa possa ser decidido nesta audiência. Não faz sentido estarem longe de casa quando já têm um lar com todas as condições para os receber há muito tempo”, afirma.

Tatiana, Filipe e Soraia foram retirados de sua casa, em Foros de Salvaterra, há quase dois anos, às duas horas da madrugada de 20 de Junho de 2008, pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Salvaterra de Magos no meio de um grande aparato policial com elementos da GNR e cães. A CPCJ obrigou as crianças a acordarem a meio da noite com o argumento de que a casa não reunia condições de higiene e habitabilidade. Os três menores foram colocados no Centro de Acolhimento Temporário (CAT) de Praia do Ribatejo, concelho de Vila Nova da Barquinha, a mais de 70 quilómetros de casa.

Ao longo de todo o processo Tatiana, Filipe e Soraia já podiam ter voltado para casa. A sociedade civil organizou-se e construiu uma casa com todas as condições de higiene e habitabilidade. Na audiência realizada a 22 de Junho de 2009, a juíza do Tribunal de Menores de Vila Franca de Xira mostrou-se muito agradada com as fotografias da nova casa de Marília Batista e determinou que os autos fossem reapreciados pelo Ministério Público e a medida aplicada revista.

Uma decisão que ficou suspensa pelo relatório da técnica da Segurança Social responsável pelo caso, Clara Carregado, que, em Setembro de 2009, já depois da autarquia ter passado uma licença de habitação, enviou um relatório onde insistiu que as crianças não podiam regressar porque a casa estava suja e tinha fezes na sanita.

A mãe de Tatiana, Filipe e Soraia está à procura de emprego mas ainda não tem certezas em relação ao futuro uma vez que as técnicas da Segurança Social e a psicóloga que acompanham o seu caso lhe pediram para ficar em casa durante o primeiro ano após o regresso das crianças ao lar materno para as acompanhar mais de perto. “Disseram-me que me dariam um apoio financeiro para eu poder estar sem trabalhar. Vamos ver como tudo vai decorrer. Se me ajudarem, posso ficar em casa senão tenho que procurar emprego. Espero que tudo fique decidido nesta audiência”, disse a O MIRANTE.

Quase um dia inteiro em

viagens para estar apenas

três horas com os filhos

Ao longo destes 20 meses que os meninos permanecem no CAT da Praia do Ribatejo, Marília Batista nunca deixou de visitar os filhos. Sempre que não tem possibilidade de ir buscá-los de carro para passarem o fim-de-semana na sua casa, Marília Batista vai todos os domingos, de 15 em 15 dias, visitá-los ao CAT. Uma viagem complicada e cansativa mas que Marília faz questão de cumprir só para estar junto dos filhos. Por apenas três horas.

Marília Batista apanha o autocarro de Foros de Salvaterra às nove da manhã chegando, de comboio, à Praia do Ribatejo por volta da uma da tarde estando com os filhos das 14h00 às 17h00. Chega a casa apenas às dez da noite.

“É muito cansativo mas não tenho carta e nem sempre tenho quem vá comigo buscar os meninos de automóvel. Sempre que vou ao CAT não gasto menos de cinquenta euros em transportes e alimentação. No fim do mês é muito puxado financeiramente”, refere Marília Batista que actualmente se encontra desempregada, vivendo apenas com o ordenado do actual companheiro.

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