Emprego
Classificados
Meteorologia
Farmácias
Resultados Futebol

Arquivo: Edição de 23-04-2009

Sociedade

População está indignada com a passagem do TGV e de linhas de muito alta tensão
Cidadãos da Calhandriz recusam viver numa freguesia de servidões

foto

Indignação e receio é o que sentem os habitantes da Calhandriz, concelho de Vila Franca de Xira, por causa da passagem do TGV e das linhas de muito alta tensão.

Imprimir ArtigoComentar ArtigoEnviar para um amigoAdicionar aos favoritos

Os moradores da freguesia da Calhandriz, concelho de Vila Franca de Xira, estão revoltados com o atravessamento da freguesia pela linha para comboios de alta velocidade (TGV) e pelos cabos de muito alta tensão do futuro troço Marateca-Fanhões. A população manifesta-se, nas conversas de café e mesmo em reunião de câmara, contra a possibilidade de transformar-se numa “freguesia de servidão”.

José Afonso é um dos moradores que vai ficar sem parte dos seus terrenos para dar passagem ao TGV. “A auto-estrada A 10 já me tinha cortado uma propriedade ao meio.

O viaduto do TGV, que passa entre os pilares da auto-estrada, vai levar-me mais um pedaço ao lado”, conta o comerciante, dono de um café, que vive na freguesia desde que nasceu e possui terrenos na zona do Pardieiro, onde irá passar a linha de alta velocidade.

Ao ver a sua vinha no mapa da consulta pública do futuro traçado do TGV, José Afonso nem precisou de perguntar às autoridades quando seria contactado para se submeter à expropriação. “Ainda ninguém falou comigo, mas já com a A10, foi chegar e dizerem-me na hora “isto tem que passar!”, relata a O MIRANTE.

Filipe de Bragança, também morador na freguesia, vai mais longe na sua indignação. “Que mais falta passar nesta freguesia?”, criticou, durante a reunião de câmara realizada na freguesia, ao fazer as contas às vias de comunicação que rasgam as terras da Calhandriz. É que para além dos viadutos do TGV, que irão passar à superfície entre 800 metros e 1,2 quilómetros de comprimento, já atravessam a localidade uma conduta de gás e a auto-estrada A10. “Ninguém está a ler o que se escreve nos processos em consulta pública na junta de freguesia”, lamenta Filipe de Bragança. Manuel Lúcio terá sido uma das excepções. O morador da Calhandriz reclama contra a transformação daquele território numa “freguesia de servidão”.

Com passagem prevista pela freguesia está também o troço de linhas de muito alta tensão Marateca-Fanhões. Bem no centro da freguesia, Mário Sequeira respira o ar do meio da manhã, enquanto garante que a passagem de cabos de transporte de energia por zonas habitadas é “muito prejudicial e deve ser sempre subterrânea”. O cidadão, que já trabalhou na EDF, produtora eléctrica francesa, evoca estudos científicos sobre os perigos das ondas electromagnéticas e condena os planos da Redes Energéticas Nacionais (REN) para fazer passar a linha na freguesia.

Alfredo Santos, dono de um restaurante no Lugar do Mato, também contesta as linhas de muito alta tensão e recorda o caso de uma vizinha, com terras junto a Santiago dos Velhos, concelho de Arruda dos Vinhos, que recebeu choques eléctricos de cada vez que tocava nos arames que seguravam as cepas da sua vinha, durante um dia chuvoso.

Abílio Soares, 69 anos, todos passados em Calhandriz, resume a situação. “Não sei como é que podem dizer que parte desta área é reserva ecológica ou agrícola. Se queremos construir uma casa, somos condicionados. Mas para que possam passar cabos eléctricos, comboios e auto-estradas, tudo se permite”.

Autarquia reclama medidas compensatórias

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira desvaloriza os impactos da passagem da linha de alta velocidade pelo concelho, mas mantém-se preocupada com as linhas de muito alta tensão. “Vem para aqui muito mais depressa a alta tensão que o TGV”, declarou a presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, na última reunião de câmara.

A autarca defende que a alternativa escolhida para as linhas de alta tensão foi a “menos penalizadora”. O corredor escolhido “inclui o aglomerado urbano do Pardieiro embora não inclua nenhuma das habitações existentes e, no limite, passa por cima estaleiro da Pavia (empresa de obras públicas) sem que o traçado não entre em conflito com a empresa”, afirma Maria da Luz Rosinha. O outro traçado, lembra a autarca, afectava muitas habitações no concelho vizinho de Arruda dos Vinhos.

Sobre o TGV a presidente de câmara já não se pronuncia e resiste às críticas apontando o actual traçado como um “mal menor”. A autarquia, no seu parecer sobre o traçado, disse esperar que “as soluções propostas para responder aos impactes previstos não se limitem a minimizar os efeitos decorrentes da construção da infra-estrutura, mas inclua também medidas compensatórias associadas à utilização do território concelhio”.

Diga o que pensa sobre este Artigo. O seu comentário será enviado directamente para a redacção de O MIRANTE.

Gostei Concordo
Comentários
Nome Email
Autorizo a eventual publicação na edição em papel do Mirante.

2008 © Jornal O MIRANTE, todos os direitos reservados | Termos de Utilização | Política de Privacidade | FAQ’S | Contactos | RSS

Voltar ao topo