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Arquivo: Edição de 28-08-2008

Sociedade

Dificuldades em obter materiais colocam em causa recuperação da habitação
Solidariedade precisa-se em nome de três menores retirados aos pais

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Voluntários de Foros de Salvaterra pedem ajuda para continuarem a reconstrução da casa do casal Joaquim e Marília a quem o tribunal retirou os filhos por falta de condições de habitabilidade.

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Dois meses após o início das obras de reconstrução e ampliação da casa de Marília Batista e Joaquim Manuel, o grupo de voluntários envolvidos neste projecto de solidariedade começa a sentir dificuldades em arranjar materiais para concluir a habitação o mais breve possível para que as crianças voltem rapidamente para junto dos pais.

O grupo garante que trabalha normalmente aos fins-de-semana e não vai desistir de alcançar o seu objectivo mas apela à solidariedade de todas as pessoas para que possam doar algum dinheiro, por mais simbólico que seja, para ajudar a cumprir o sonho de uma família que está separada há mais de 60 dias.

“As pessoas do concelho de Salvaterra de Magos têm sido muito amáveis e solicitas mas sentimos que também elas estão a chegar ao limite daquilo que podem dar sem se prejudicarem. Pedimos ajuda para conseguirmos terminar a obra o mais rápido possível. Só assim as crianças podem voltar para junto dos pais”, diz Jorge Monteiro, responsável da Associação Shorinji Kempo do concelho de Salvaterra de Magos.

O MIRANTE visitou o local para verificar o avanço da obra. O esqueleto da casa já está em pé. Mas falta ainda parte do telhado, janelas, as casas-de-banho, a cozinha e os acabamentos. Segundo o mestre Zé, que lidera o grupo, é necessário ainda mais cimento e tijolos. Toda a ajuda é bem vinda. Quem quiser ajudar pode fazê-lo através da conta bancária da Escola de Shorinji Kempo de Foros de Salvaterra. NIB 004552724018466562313. Esclarecimentos podem ser obtidos através do telefone 960 484 063.

Quando a obra terminar será inspeccionada por responsáveis da Segurança Social. Assim que a Instituição decidir que estão reunidas todas as condições necessárias será proposto ao juiz responsável pelo caso que os meninos voltem para junto dos pais.

“Ainda não veio cá ninguém

da Segurança Social”

O casal comprometeu-se a resolver os problemas de habitabilidade. Nesse acordo ficou estabelecido que a técnica da Segurança Social, Clara Carregado, – que também é membro da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Salvaterra de Magos – iria a casa do casal com frequência para se inteirar de tudo o que está a ser feito. Segundo Marília Batista, isso ainda não foi feito.

“A audiência foi há um mês e até agora não veio cá ninguém ver como as coisas estão a andar. A Segurança Social convocou uma reunião com uma assistente social que nos perguntou apenas se tínhamos visitado os meninos e tivemos que explicar o que estávamos a fazer para reverter a situação”, explica Marília Batista, lamentando que a Segurança Social não se tenha, sequer, disponibilizado para ajudar. “Nem perguntam se precisamos de alguma coisa que possa acelerar o processo”, acrescenta.

“Só nos mandam esperar. Não temos feito outra coisa. O problema é que, enquanto nos mandam esperar porque os senhores responsáveis pelas decisões estão de férias, existe uma família infeliz por estar separada há tanto tempo”, desabafa.

Crianças começam ano lectivo no Centro de Acolhimento

Na última visita ao Centro de Acolhimento Temporário da Praia do Ribatejo, Marília e Joaquim tiveram que comunicar aos filhos que teriam que começar o ano lectivo na Instituição de Acolhimento. As crianças receberam a notícia como um balde de água fria.

“Quando a CPCJ veio buscá-los disseram-lhes para não se preocuparem por que iam ser apenas umas férias e que voltavam a tempo de começarem a escola. Avisaram-me para tratar das matrículas de inscrição uma vez que em Setembro eles voltavam. A Tatiana e o Filipe ficaram muito revoltados com a situação. Dizem-me que podem ir às aulas mas escusam de lhes dar cadernos e lápis porque não vão escrever uma única palavra”, conta a mãe.

Apenas Soraia, de três anos, tem encarado melhor a situação. Chora à noite porque sente a falta da mãe mas pensa que está numa escola com os irmãos. “Felizmente, ainda não se apercebe o que se está a passar”, diz.

Pais visitam crianças no dia do 7º aniversário de Filipe

Filipe fez sete anos na sexta-feira, 8 de Agosto. O casal teve oportunidade de estar com os filhos mais tempo do que o habitual. Aproveitaram para brincar a tarde toda e jogar à bola, o desporto preferido do jovem aniversariante.

Ao lanche, Filipe teve direito a um bolo de aniversário recheado de chocolate com o desenho do Batman, o seu herói preferido. Foi um dos dias em que Filipe se mostrou um pouco mais calmo.

“O meu filho é muito nervoso e quando está contrariado torna-se muito ansioso. Quando os visitamos evitamos ao máximo conversar sobre os problemas mas torna-se inevitável porque os mais velhos querem saber como estão a correr as coisas, e quando a casa está pronta para poderem voltar. Tem sido muito difícil lidar com toda esta situação”, afirma desanimada.

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