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Arquivo: Edição de 26-06-2008

Sociedade

Além da vertente expositiva, prevê a existência de um centro de inovação e experimentação tecnológica
Projecto de 40 milhões para museu ferroviário promete requalificação urbana da zona

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Arquitecto Carrilho da Graça mistura aço, vidro, plástico e policarbonatos em contraponto ao ferro das linhas e estruturas existentes na estação.

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Um parque verde urbano e uma estrutura feita em aço, plástico, vidro e policarbonatos, num ambiente “translúcido”, são as imagens fortes do complexo museológico que vai acolher no Entroncamento boa parte do património ferroviário do país. João Luís Carrilho da Graça, o arquitecto que desenvolveu o plano director do futuro Museu Nacional Ferroviário, mostrou na sexta-feira, após a inauguração da Rotunda das Locomotivas, a maqueta que idealizou e que espera ver desenvolvida no terreno durante a próxima década.

Com um custo estimado de 40 milhões de euros, o espaço do museu - a desenvolver nos 46.500 metros quadrados propriedade da Fundação Museu Nacional Ferroviário, inseridos no cruzamento de linhas e estação do Entroncamento - vai ter que crescer com investimento público, nacional e comunitário, mas também privado, como frisou a secretária de Estado dos Transportes. Prometendo que o Estado não se demitirá das suas responsabilidades, Ana Paula Vitorino - que com a secretária de Estado da Cultura, Paula Santos, marcou presença na inauguração da famosa “redonda” -, apelou à participação “dinâmica e empenhada” dos privados, alguns dos quais integram já a fundação.

“Estou certa que este projecto tem capacidade para atrair investimento”, afirmou, considerando que o museu irá constituir um pólo de atracção e desenvolvimento para o turismo cultural, “contribuindo para a qualificação territorial, desenvolvimento económico, social e cultural da região centro, mas também de Lisboa e Vale do Tejo e até do país”.

Durante a apresentação do ambicioso projecto, e tendo a maqueta como pano de fundo, Carrilho da Graça explicou como se aproveitarão os agora degradados armazéns de tijolo existentes nos terrenos da fundação, incorporando-os numa estrutura “translúcida”, em “contra fundo” ao aço das locomotivas e carruagens. O parque verde, com árvores e relva, vai ser também espaço expositivo e de percursos guiados, que podem passar pelo recurso a um mini-comboio.

Na futura nave será exposta, por secções, grande parte do vasto espólio da fundação, datado de várias épocas e no edifício da velha central eléctrica o arquitecto sugere a edificação de um “restaurante de qualidade”. Um túnel, que atravessará todas as linhas a partir da zona das bilheteiras, fará a circulação pedonal e automóvel ao museu e à própria estação propondo o arquitecto a existência de uma galeria comercial ao longo desse túnel, que ligará também a um parque de estacionamento subterrâneo com 1200 lugares. O plano propõe ainda outro acesso ao museu, a partir do outro lado do complexo, onde se situa o armazém de víveres, permitindo a ligação entre as duas partes da cidade divididas pelo caminho-de-ferro e criando novas dinâmicas.

Ana Paula Vitorino pediu que o museu privilegie a interactividade com os visitantes, que seja transversal a todas as gerações e espaço de aprendizagem e diversão, e que, daqui a muitos anos, “acolha mais um símbolo do progresso português, o material usado na primeira viagem de alta velocidade”.

Além da vertente expositiva (permanente e temporárias), o projecto prevê a existência de um centro de inovação e experimentação tecnológica, em parceria com universidades e privados, para mostrar “os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos”. E ainda um museu virtual, oficinas de conservação e restauro, uma livraria, um serviço educativo com programas e actividades em áreas como o modelismo, as engenharias, energias, ambiente, matemática, física, entre outras estruturas.gica

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