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Pedro Quinta ainda utiliza a ancestral técnica da varinha para descobrir veios de água no subsolo
Extrair água das entranhas da terra

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Começou a actividade aos 21 anos por necessidade mas agora, passados onze, não se vê a fazer outra coisa. Mesmo que seja um trabalho realizado ao ar livre e pouco limpo.

Edição de 2008-04-30
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Pedro Quinta acciona o mecanismo que faz a máquina de sondar perfurar o solo, à procura de um bem essencial cada vez mais raro – a água. Fazer brotar o líquido de baixo da terra é o seu objectivo diário. O seu e o dos seus clientes. O 12º ano ficou incompleto – falta-lhe a disciplina de alemão – por causa da chamada para a tropa. Fez o serviço militar em Tomar e Santa Margarida e quando saiu, com 21 anos, não tinha grandes perspectivas de emprego. Na altura já namorava e acabou por ingressar na empresa de um familiar da actual mulher, dedicada a sondagens e captações de água, situada em Moreiras Grandes, concelho de Torres Novas.

“Não fazia a mínima ideia do que me esperava mas o que queria era trabalhar”, confessa. Começou por baixo, como ajudante de operador de máquinas, para ganhar experiência. E aprender. O primeiro furo que fez já como operador de máquinas foi no Carreiro da Areia, uma aldeia do concelho, mas já não se recorda de quantos metros de terra foram precisos perfurar até encontrar água.

Fazer um furo parece tarefa fácil mas requer alguns conhecimentos. E saber se por baixo de um dado pedaço de terreno passa um veio de água suficientemente abundante para rentabilizar o investimento do cliente. Pedro ainda utiliza a velha técnica da varinha, embora se sirva também, como apoio complementar, das cartas geológicas. “Antes de fazer o furo há que saber que tipo de terreno estamos a pisar, se é arenoso ou calcário, por exemplo”, diz o operador de máquinas.

A varinha de Pedro é uma mola de um velho despertador. Com ela entre as mãos, esticada, percorre a zona onde o cliente pretende fazer o furo. A certeza de que ali existe água é dada no momento em que a mola começa a exercer força sob as mãos e fica arqueada. “A varinha não funciona com todas as pessoas, só verga nas mãos de algumas”, adverte o jovem, adiantando que descobriu esse dom em pequeno, quando o pai procurava o melhor sítio para fazer um poço. “Peguei na varinha, experimentei e deu resultado. Desde então guio-me por ela, dá-me maiores certezas que as cartas geológicas”.

Existem quatro formas de fazer um furo – perfuração por lamas, circulação inversa, retropercussão a lamas e martelo de fundo furo. As mais utilizadas são as duas últimas. Quando o terreno tem muita rocha recorre-se

à técnica do martelo de fundo duro, em que é o próprio martelo pneumático que ao partir a rocha traz também os detritos para cima. Em terrenos menos rochosos é utilizada a retropercussão a lamas. “Faz-se uns tanques onde vão ser colocadas todas as lamas provenientes da perfuração”. Isto é, à medida que a perfuração avança as lamas existentes em redor do furo são puxadas, através de bombas, para dentro de umas brocas que trazem depois todo o lixo da perfuração para cima, sendo então colocado nos referidos tanques. O objectivo final é que o buraco feito com a máquina, de onde depois vai jorrar a água, fique devidamente limpo de impurezas.

Não consegue contabilizar quantos furos já fez em 11 anos de trabalho, mas não esquece aquele que só encontrou água quando chegou aos 375 metros de profundidade. “Foi um caso raro porque normalmente encontra-se água a 60 ou 70 metros. E nos campos da Golegã, por exemplo, bastam 20 ou 30 metros para a água jorrar”.

Durante a execução do furo Pedro Quinta está sempre ao lado da máquina e não há roupa que resista às lamas que são projectadas, nem à água que sai em repuxo. “Ando sempre sujo, não há nada a fazer”. Além disso, como diz, “o tempo passa todo por mim”. Porque o trabalho ao ar livre é assim mesmo, a máquina não pára, chova a potes ou esteja um calor abrasador. Neste trabalho não há horários pré-estabelecidos. “Quando começamos a fazer um furo não sabemos quanto tempo vamos demorar e já tem acontecido trabalharmos 24 horas seguidas, em terrenos que correm o risco de alagar se o trabalho ficar a meio”.

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