Arquivo: Edição de 20-03-2008
SociedadePSP de Santarém ajudou a arranjar uma solução em conjunto com o município
Festas proporcionam realojamento de família que vivia em condições precárias
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Manuel Limas, a mulher e três filhos estão mais felizes porque já não dormem com a água da chuva a cair-lhes em cima.
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Manuel Limas, a mulher e três filhos estavam a viver em instalações da Câmara de Santarém no Campo Infante da Câmara que durante as feiras são usadas como cabine de som, mas a PSP, que tinha indicações para os retirar do local, optou por pedir colaboração ao município e conseguiu-se realojá-los numa casa na periferia da cidade. A família vivia sem as mínimas condições, dormiam num húmido chão de cimento cobertos por um telhado que deixava passar água da chuva. A luz eléctrica era roubada a um poste da EDP e a água para beber e cozinhar vinha de uma boca-de-incêndio.
A PSP de Santarém, que conhece bem a família, verificou que Manuel Limas já tinha andado à procura de casa, mas os seus parcos rendimentos não chegavam para pagar as rendas. Foi então que pediram a colaboração da câmara municipal que acabou por dar um apoio pagando os dois primeiros meses de renda da casa na rua do Perdigão. Agora Manuel Limas está à procura de apoio para poder cumprir os pagamentos seguintes. Manuel ganha cerca de 150 euros de reforma por invalidez e a mulher recebe cerca de 300 euros de Rendimento Social de Inserção. A renda é de 250 euros.
Com uma das filhas deficiente mental, Manuel Limas e a mulher, Isaura da Silva, podem agora lavar-se numa casa de banho, embora ainda tenham que aquecer a água numa panela porque não têm dinheiro para comprar um esquentador. A casa com mosaicos e portas castanhas está limpa e arrumada. Uma pequena televisão está em cima de uma mesa de plástico e duas cadeiras rotas fazem de sofá à noite para se distraírem com as notícias e as telenovelas. Os três quartos não têm cama e enquanto não as arranjarem vão continuar a dormir no chão, mas já sem a chuva a cair-lhes em cima. As roupas estão arrumadas a um canto dentro de sacos.
O pátio à frente da casa não tem ervas. Diz Manuel Limas que foi ele quem as arrancou porque já estavam grandes, pois a casa estava desabitada há algum tempo. “Agora tenho muito melhores condições, basta não andar a saltar de sítio para sítio para não ser chateado pela polícia e ter uma casinha”. A nova morada foi estreada na véspera das festas de S. José organizadas pela câmara, na quinta-feira, dia 13. Não há roupeiros, só um móvel na sala já estragado pela humidade da antiga morada, mas há mais felicidade.
“Antes quero estar aqui numa casa onde não chove e onde tenho condições do que darem-me agora cinco mil contos (25 mil euros). O dinheiro gasta-se e quem tem uma casa tem tudo”, desabafa Manuel Limas que agora espera melhorar a sua vida e dar um futuro melhor aos filhos, desejando que eles continuem a estudar até quererem para terem mais habilitações e uma vida melhor que aquela que os pais têm tido.
