Arquivo: Edição de 20-03-2008
SociedadeParceria visava a gestão conjunta de parques de estacionamento das duas entidades
Protocolo entre Refer e Câmara do Entroncamento por assinar há quatro anos
|
|
A Refer – Rede Ferroviária Nacional elaborou em 2004 um protocolo que visava uma parceria com a Câmara do Entroncamento para a exploração conjunta de parques de estacionamento junto à estação ferroviária. O protocolo nunca foi assinado, obrigando a câmara a avançar sozinha para a concessão do seu parque de estacionamento, instalado nas traseiras da residencial Gameiro. O espaço onde a Refer se propunha construir o seu parque, logo abaixo da entrada principal da estação, continua coberto de ervas.
A situação deixa indignado o presidente da Câmara do Entroncamento. “Vejo parques de estacionamento feitos pela Refer em aldeias com estações ferroviárias fechadas ao público e a terceira maior estação do país continua esquecida pela empresa”, referiu Jaime Ramos (PSD) na reunião do executivo de segunda-feira.
A última vez que Jaime Ramos teve qualquer contacto relativo a esta questão foi há seis meses, quando falou com Fernando Cunha, responsável da Refer pela matéria. Até hoje não teve resultados dessa reunião. O autarca desabafou a O MIRANTE ainda ter dificuldade em chegar às pessoas que decidem e adiantou estar farto de falar com engenheiros. “Não estou mais disponível para receber engenheiros, a esses mando-os reunir com os engenheiros da câmara. Quando vier algum administrador da Refer, então recebo-o”, disse Jaime Ramos, visivelmente agastado com a questão.
No protocolo de 2004, a Refer considerava que o seu futuro parque de estacionamento e o do município tinham a mesma finalidade – o apoio prioritário aos utentes do caminho de ferro – e que havia o interesse comum de garantir a intermodalidade do estacionamento na zona e a redução de custos de exploração, através de uma gestão conjunta dos dois parques. O da Refer, com capacidade para 100 lugares e o da câmara, para 280 lugares de estacionamento. A fiscalização e a limpeza dos dois espaços ficaria a cargo da autarquia e as rendas a pagar pela concessionária aos dois parceiros seriam proporcionais ao número de lugares por si disponibilizados. O protocolo seria válido por um prazo de cinco anos, renovável automaticamente por períodos de seis meses. Se tivesse sido assinado, terminaria no próximo ano.
Em Março de 2005 a Refer volta a contactar a câmara apresentando uma programação prevista para o lançamento e execução, não de um mas de dois parques de estacionamento – um na localização inicialmente prevista e outro a poente da estação, em terrenos agora pertencentes ao Museu Nacional Ferroviário. Assinada pelo então presidente da Refer, Braamcamp Sobral, a missiva informava que iriam ser efectuados contactos com a CP, no sentido de ser acordada a intervenção necessária a nível ferroviário, e estipulava prazos para demolições, concretização da obra, vedação dos locais e, no caso do parque junto à entrada da estação, a requalificação da praça de táxis. De acordo com o calendário, entre o lançamento do concurso e a conclusão das obras, o parque nascente estaria a funcionar a partir de Agosto de 2005 e o poente em Janeiro de 2006. Nada foi feito.
Cansada de esperar, a Câmara do Entroncamento avançou para a concessão do seu parque e assinou contrato com a empresa Tecnovia Açores em finais do ano passado. Neste momento decorrem obras de requalificação do espaço, a cargo da concessionária, nomeadamente a colocação de passeios e realização de sistemas de drenagem de águas pluviais. De acordo com a concessão e o regulamento camarário, o parque de estacionamento municipal vai passar a ser taxado ao valor de um euro por dia.
O MIRANTE contactou a Refer para esclarecer a situação mas a resposta ao nosso email não chegou até ao fecho desta edição.
