Arquivo: Edição de 20-03-2008
SociedadePartido “Os Verdes” foi a Abrantes ver no terreno zona que pode ficar submersa
Ecologistas querem que Governo avalie melhor projecto da barragem no Tejo
|
|
O Partido Ecologista “Os Verdes” é frontalmente contra a construção de uma barragem no rio Tejo na zona de Abrantes, devido aos custos económicos, ambientais e sociais que esse equipamento pode causar. Uma delegação do partido visitou na manhã de sábado a zona ribeirinha de Rossio ao Sul do Tejo e de Rio de Moinhos, duas das freguesias que serão mais afectadas caso o empreendimento vá em frente, e confirmou no terreno as preocupações que já tinham. A edificação da barragem à cota 31 erradicará da paisagem todo o investimento feito na requalificação da zona ribeirinha de Abrantes e vai submergir estradas e equipamentos como a rede de saneamento básico.
Para os deputados do PEV José Miguel Gonçalves e Francisco Madeira Lopes, o projecto “não está minimamente sustentado”. “Não basta dizer que é um projecto de interesse nacional para que ele se faça sem avaliar os custos económicos, sociais e ambientais. É importante que o Governo explique este projecto que vai pôr em causa todo um património ambiental”, afirmou José Miguel Gonçalves em conferência de imprensa realizada ao final da tarde de sábado em Santarém.
Os ecologistas dizem que não são contra o aproveitamento energético e reconhecem o défice que existe nesse capítulo no país. Mas recordam que o programa nacional de barragens anunciado pelo Governo, que contempla a construção de dez infra-estruturas, vai representar apenas um aumento de 0,71 por cento na produção de energia.
Uma situação que, na sua óptica, não justifica precipitações de qualquer ordem pois os impactos podem ser perniciosos. “Em Abrantes coloca-se em causa o desenvolvimento daquela zona por via do turismo”, dizem os deputados, lembrando que, ao contrário do que alguns querem fazer crer, a albufeira criada pela barragem não é só por si sinónimo de desenvolvimento. “Basta ver o exemplo do Castelo do Bode, onde as populações que mais sofreram de desertificação foram as mais próximas da albufeira”.
“Os Verdes”, que reuniram nesse dia com os presidentes de junta de freguesia de Rossio ao Sul do Tejo e de Rio de Moinhos e com o presidente da Câmara de Abrantes, defendem que haja uma discussão alargada sobre o assunto, que se ouçam os técnicos e que se ponderem outras hipóteses, como a construção de mini-hídricas.
