Arquivo: Edição de 20-03-2008
SociedadeTestemunhas desfazem dúvidas da defesa quanto à proveniência do tiro mortal
Funcionária da bomba de gasolina foi morta com um disparo da caçadeira do assaltante
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Uma inspectora da Polícia Judiciária de Lisboa, que investigou o crime, dois agentes da GNR, que enfrentaram os assaltantes e a filha da vítima que foi sequestrada e usada como escudo humano por um dos assaltantes não têm dúvidas que Eduarda Ferreira, 43 anos, foi morta por um disparo à queima-roupa efectuado por Cláudio Camacho, o homem mais alto do trio que assaltou as bombas da ETC em Benavente na noite de 6 de Abril do ano passado.
O julgamento começou na quinta-feira, 13 de Março, no Tribunal de Benavente com a sala de audiências cheia de familiares da vítima e dos arguidos e debaixo de rigorosas medidas de segurança. Medidas reforçadas com a colocação de mais agentes junto dos arguidos e com o afastamento das testemunhas para evitar algum envolvimento físico entre as partes.
Os três homens estão acusados de um crime de homicídio qualificado, quatro crimes de roubo agravado, um de furto qualificado, um de resistência e coacção sobre funcionário, um de detenção de arma proibida e outro de falsificação de documento, passíveis de penas que vão até aos 25 anos de prisão. Na abertura do julgamento optaram pelo silêncio.
Cláudio Camacho, 21 anos, auxiliar de armazém, residente no Bom Sucesso, Alverca; Luís Coutinho, 30 anos, serralheiro, residente no Camarnal, Alenquer; e João Manuel Oliveira, 39 anos, pintor de construção civil de Alhandra; foram reconhecidos sem reservas pela filha da vítima, apesar de terem actuado encapuzados.
Alexandra Ferreira, que tinha ido buscar a mãe ao fim de um dia de trabalho explicou que foi sequestrada com a mãe na casa de banho e que Cláudio foi buscá-la empunhando uma caçadeira, mas a mãe disse para a levar antes a ela e deixar a filha. Alexandra ouviu o disparo mas nunca pensou que tivesse atingido a mãe. A jovem, algemada com braçadeiras de plástico, foi usada como escudo humano por outro assaltante, João Manuel Oliveira, mas conseguiu fugir para junto do jipe da GNR. Os militares colocaram-na deitada na parte traseira para se proteger de eventuais disparos.
Os dois agentes confirmaram que efectuaram cinco tiros, tendo sido três de intimidação e dois de neutralização quando um dos assaltantes, Manuel Oliveira avançou em direcção a um dos militares. O agente ameaçado contou ao tribunal que tentou atingir o assaltante nas pernas mas errou e os tiros atingiram o vidro da loja. O local estava escuro porque os assaltantes tinham desligado o quadro para facilitar a sua actuação.
O terceiro assaltante pôs-se em fuga a pé e foi depois apanhado pelos dois colegas após combinação do local com recurso ao telemóvel.
