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Arquivo: Edição de 20-03-2008

Sociedade

Encontro superou as expectativas e reuniu pessoas de várias nacionalidades
Imigrantes de Torres Novas entusiasmados com escola-memória

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Participantes ficaram animados com a possível implementação de uma escola-memória que os vai ajudar a não esquecer as tradições do seu país de origem.

Por: Elsa Ribeiro Gonçalves

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Cerca de seis dezenas de imigrantes, entre brasileiros, russos, ucranianos e romenos, deslocaram-se na tarde de domingo, 16 de Março, até ao Salão da Casa Interparoquial junto à igreja de São Pedro, em Torres Novas, para participarem no I Encontro de Imigrantes residentes no concelho. Da iniciativa, promovida pelo Núcleo de Torres Novas da Associação Portuguesa de Aprendizagem Intercultural (APAI), germinou a ideia de se vir a criar uma escola-memória para a comunidade imigrante onde podem reaprender o idioma e outros aspectos culturais do país que um dia deixaram em busca de uma vida melhor.

Margarida Moleiro, coordenadora do Núcleo Torrejano da APAI, explicou que já existem outras escolas deste género espalhadas pelo país e que, especialmente, os filhos dos imigrantes as frequentam ao sábado, uma vez que durante a semana estudam numa escola oficial portuguesa. “Para além do ensino da língua, esta escola poderia ensinar outros aspectos culturais dos países de origem, como as danças, música, festividades ou artesanato”, disse. De pé, ali ao lado, a ucraniana Iryna Nezhdanova, traduzia o discurso na língua russa, a pedido de alguns dos presentes que alegaram ainda não dominar o português.

Após ver a reacção positiva dos imigrantes em relação à possibilidade de criação dessa escola em Torres Novas, Margarida Moleiro avançou que, “com boa-vontade de todos” será possível pôr a mesma a funcionar “no espaço de um mês e meio”. A associação já conseguiu arranjar alguns voluntários (entre professores, assistentes sociais e até médicos) para dar formação mas falta resolver o problema do espaço, uma vez que o Núcleo da APAI ainda não tem sede própria. “Existe a necessidade premente de termos a nossa própria sede, um local fixo de encontro da comunidade imigrante, que servisse de posto de informação e onde poderia funcionar simultaneamente esta escola-memória”, disse a O MIRANTE.

Em relação aos apoios para a implementação do projecto, a responsável pretende entrar em contacto com a sede central da APAI e inteirar-se dos concursos de financiamento europeus que possam viabilizar o mesmo, que apesar de ser praticado pelos formadores em regime voluntariado tem os seus custos inerentes. “Contamos também com o apoio de muitos patrocinadores locais, que nos ajudam conforme podem, e da Câmara de Torres Novas”, atestou.

“A criação desta escola seria algo muito bom para nós uma vez que os nossos filhos nasceram cá e falam mais português do que a nossa língua”, atesta um casal de ucranianos residente em Torres Novas há 8 anos. “Nós próprios já esquecemos algumas das tradições do nosso país”, confessam com um olhar renovado de esperança.

No final da reunião, realizou-se um lanche convívio, altura em que os organizadores da iniciativa recolheram os contactos de todos os participantes, bem como a sua disponibilidade horária para participarem nestas iniciativas. “Reunimos esta informação porque queremos realizar outros encontros de imigrantes, cada vez mais regulares e dinâmicos”, concluiu a coordenadora da iniciativa.

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