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Arquivo: Edição de 20-03-2008

Sociedade

Oposição fala em falta de rigor e classifica projecto como utópico
Museu do Território de Alcanena apresentado na assembleia municipal

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O município de Alcanena quer criar uma rede de museus no concelho, um projecto já em implantação com a construção do Museu do Curtume nos antigos celeiros da EPAC na sede de concelho. O projecto foi apresentado em reunião extraordinária da assembleia municipal, no dia 13 de Março, por Daniel Café, chefe de gabinete da presidência. O objectivo é criar um Museu do Território de Alcanena, descentralizado e polinucleado, distribuído por vários pontos do concelho, no qual se inserem os museus do Curtume e Roque Gameiro (em Minde), já em construção. No total, o projecto tem um custo estimado em cerca de 4 milhões de euros, em que a maior fatia será aplicada no Museu do Curtume (1 milhão e 850 mil euros).

Do plano apresentado consta a criação de uma rede de 13 espaços culturais. Museu do Curtume (Alcanena), Museu do Curtume (pólo da Gouxaria), Museu da Comunidade (Minde), Museu Roque Gameiro (Minde), Museu Rural e Etnográfico (Espinheiro),

Museu da Boneca (Alcanena), Lagar Museu (Malhou), Moinho Típico (Malhou), Eco Museu (Serra de Santo António), Museu da Vela e da Vassoura (Monsanto), Museu do Traje Tradicional (Gouxaria), Núcleo de Arqueologia (Moitas Venda), Museu de Arte Contemporânea (Alcanena) e Carsoscópio (Olhos de Água)), sendo que alguns dos espaços já existem.

As bancadas da oposição (PS e PSD) classificaram a sessão extraordinária da assembleia de “vazia” por em nada esclarecer sobre os reais investimentos por parte da câmara no Museu do Curtume, sem qualquer garantia até ao momento de que o projecto possa ser financiado pelo POC – Programa Operacional de Cultura. Ana Cláudia Coelho (PSD) acusa a autarquia de “falta de rigor” nos projectos, por “falta de estudos sociológicos” e por aumentar as responsabilidades financeiras para futuros executivos.

O PS considerou uma “seca” as cerca de duas horas em que se expôs o projecto, classificando-o como “utópico” e “nada esclarecedor”. Óscar Pires (PS), também dirigente da Associação Cultural e Ambiental Covaltas, da Serra de Santo António, coloca em causa a rentabilidade ao nível de visitas turísticas à rede de museus, considerando mais pertinente começar por valorizar-se o que existe.

A O MIRANTE, o vice-presidente da Câmara de Alcanena, Eduardo Marcelino (ICA), garante que os projectos culturais, incluindo o Museu do Curtume, são “riscos calculados” pela autarquia e que “gastar em cultura é investir para o futuro do concelho e da população”.

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