Arquivo: Edição de 20-03-2008
SociedadeTroço da Estrada Nacional 118 é palco frequente de acidentes de viação fatais
Morte de casal reforça reclamações de mais segurança rodoviária em Marinhais
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Três crianças ficaram órfãs na semana passada após um brutal acidente de viação lhes ter roubado o pai e a mãe, num cruzamento em Marinhais (Salvaterra de Magos). Aquele troço da EN 118, de intenso tráfego e de frequentes acidentes, viu a segurança rodoviária tornar-se ainda mais precária há cerca de um mês quando o sistema de sinalização semafórica na estrada nacional e em alguns acessos passou a funcionar apenas de forma intermitente.
Nilo Lino Moreira, 43 anos, e Maria Lucinda das Graças Moreira, 37 anos, perderam a vida quando seguiam no Fiat Punto que colidiu com um veículo comercial num cruzamento da EN 118, na noite de 11 de Março. A força do embate arrastou o carro contra a parede do edifício mais próximo e tirou a vida ao casal, que deixou três filhos menores. O acidente ocorreu antes das 21h00 e só por volta das 01h00, segundo testemunhas no local, os bombeiros conseguiram retirar as vítimas e limpar a zona. O ocupamento do outro veículo, Joaquim Veloso, residente em Sobral de Monte Agraço, sofreu ferimentos ligeiros.
Um semáforo avariado há várias semanas, desde o temporal que se abateu sobre a região no dia 18 de Fevereiro, pode ter contribuído para o acidente. A população não esconde a revolta e afirma que já por várias vezes tinha alertado as autoridades competentes para o facto de que, mais tarde ou mais cedo, uma desgraça iria ali acontecer. Uma moradora que não quis identificar-se garantiu que o cruzamento, que é perigoso durante o dia, “fica ainda mais perigoso à noite, porque é muito mal iluminado”.
José Luís dos Santos, que mora perto do local, foi outro dos vários moradores que diz ter contactado as Estradas de Portugal antes do acidente, que, segundo o próprio, “se adivinhava mais tarde ou mais cedo”. “Esta chamada de atenção ocorreu pouco depois do acidente que se deu com um motociclista que acabou por ter morte imediata, mesmo em frente da entrada da Quinta da Cantoneira”. Foi mandada carta assinada pelos residentes e com aviso de recepção, para o presidente do EP tentando chamar a atenção para a nova realidade da EN 118, com mais tráfego, com mais entroncamentos e sobretudo com a falta de respeito pelos sinais limitadores de velocidade, pedindo medidas mais eficazes para obrigar à sua redução”, conta o morador. Todas as tentativas de contacto ficaram sem resposta.
O MIRANTE ouviu várias testemunhas do acidente e todos são unânimes em afirmar que se trataram de mortes anunciadas. Joaquim Moço, que habita junto ao cruzamento, não se conforma com o que aconteceu. O morador assistiu ao acidente e garante que foi o pior que já assistiu. Também Pedro Caseiro, que chegou pouco depois de tudo ter acontecido, garante que os acidentes no local são constantes. “Isto precisa urgentemente de ser resolvido”, afirma António Augusto, que por diversas vezes diz ter alertado a GNR e a junta de freguesia para os perigos do cruzamento.
O presidente da Junta de Freguesia de Marinhais, Vitorino dos Santos (BE), afirma que já tinha alertado a Estradas de Portugal (EP), responsável pelo troço, e que tinha levantado também o assunto na câmara municipal uma semana antes do acontecimento. “Estive há dois ou três meses com o director da Direcção de Estradas de Santarém, Alcindo Cordeiro, e chamei a atenção para esse cruzamento. É um perigo, além de ser esteticamente muito feio”, frisou, acrescentando ser “uma vergonha para a vila de Marinhais ter uma entrada assim”.
Segundo Vitorino dos Santos, o director de estradas disse que o arranjo do cruzamento está inserido no Plano de Intervenção da Prevenção Rodoviária Portuguesa e que estão a ser feitos estudos para o local. Vitorino dos Santos afirma que o semáforo foi arranjado durante a passada semana, depois de ter ocorrido o acidente fatal. O MIRANTE tentou contactar as Estradas de Portugal mas até à data de fecho de edição não conseguiu obter mais esclarecimentos.
