Arquivo: Edição de 20-03-2008
SociedadeA burocracia do processo
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Em frente ao computador instalado no seu gabinete, Paula Garrinhas, técnica de política social e responsável operacional pela unidade, vai passando os olhos pelo computador. Na plataforma informática criada pela tutela para a gestão dos cuidados continuados há mais três nomes de utentes à espera de entrar no sistema. Um processo que peca pela morosidade, talvez por ter demasiados intervenientes.
Geralmente o processo começa nos hospitais da região. Um doente que precise de cuidados de duração superior a 90 dias é referenciado pela respectiva equipa hospitalar de gestão de altas (EGA), que comunica a situação à equipa de coordenação local (ECL). No caso da unidade de cuidados continuados de Tomar, essa equipa está sediada em Vila Nova da Barquinha e é composta por um médico, uma enfermeira e uma assistente social. São eles que avaliam o processo de cada utente proposto pela EGA e decidem que tipo de cuidados é que vai receber.
Os dados são enviados então à equipa de coordenação regional (ECR), a quem cabe colocar na tal plataforma informática o nome dos utentes que estão em condições de ser internados a breve prazo. Mas para o internamento se concretizar, a equipa de coordenação local tem de obter a assinatura do futuro utente, ou de alguém que por ele se responsabilize, no chamado termo de aceitação informado - um documento onde o utente diz que quer realmente aderir à rede e entrar na unidade de longa duração.
No referido documento está também já descrito qual é a comparticipação financeira diária do utente pela estadia. Para além desta comparticipação, cabe sempre ao utente o pagamento das fraldas que utilizará durante o período de internamento.
