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Arquivo: Edição de 20-03-2008

Sociedade

Mecânico sentiu-se mal no posto e teve que ser assistido por equipa médica
Agressões envolvendo a GNR de Almeirim no Ministério Público

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Um mecânico queixa-se de ter sido agredido por militares da GNR e o caso já foi comunicado ao Ministério Público pela força de segurança.

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O Ministério Público está a investigar um caso de agressões que envolve dois elementos do posto da GNR de Almeirim e um mecânico da cidade, que teve de ser assistido por uma equipa da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) à porta das instalações da Guarda. Mário Rodrigues, que já esteve internado por três vezes devido a problemas cardíacos, foi transportado para o Hospital de Santarém, onde o relatório médico refere que o paciente apresentava dor no peito, tendo registado alívio quase total da dor após terapêutica dada pela VMER. “Refere que a dor teve início após tentativa de imobilização pela GNR, com traumatismo torácico”, acrescenta o relatório.

Segundo o queixoso, a situação começou por causa de uma viatura que tinha estacionado no parque das Tílias, a cerca de 50 metros da oficina, e que estava a enxugar para ser pintada. A carrinha apresentava sinais de estar a ser reparada e tinha na caixa de carga algumas peças e as chapas de matrícula. Quando se apercebeu da presença dos militares da Guarda junto da viatura, deslocou-se para o local no intuito de a levar para a oficina. Foi-lhe pedida a identificação pessoal e a do carro. Mário Rodrigues, 56 anos, terá dito que não tinha os documentos com ele mas que estavam na oficina.

A situação originou uma troca de palavras e Mário Rodrigues, confessa, dirigiu-se aos guardas chamando-lhes “rapazitos”. Na sua versão, o queixoso recorda que disse aos militares que “não era preciso ser muito esperto para se ver que o carro estava em reparação”. A seguir, conta, foi-lhe dada ordem de detenção e foi arrastado de dentro da viatura, descrevendo que o agarraram no pescoço e lhe deram pontapés nas pernas para o deitar ao chão. Depois, realça, colocaram-lhe as botas em cima do corpo para o algemar e foi no carro patrulha para o posto.

Já no posto Mário Rodrigues começou a sentir-se mal. Entretanto já tinha contactado a sua advogada, que o acompanhou enquanto esteve nas instalações. Um dos militares que o deteve foi ao centro de saúde, segundo apurou O MIRANTE, para receber tratamento a uma ferida no lábio que terá sido provocada durante a confusão que se gerou na altura da detenção. O queixoso vai agir judicialmente contra os militares que estão na corporação há pouco tempo e a GNR já comunicou o caso, que se passou na manhã de dia 13, ao Ministério Público no Tribunal de Almeirim.

O MIRANTE enviou um fax para o comando do grupo de Santarém da GNR, tendo o comandante Vítor Lucas respondido que “a patrulha, no decurso de uma acção policial, necessitou de recorrer ao uso força adequada e proporcional, para levar a efeito a detenção e condução ao posto de um cidadão”. Confirma que “já no posto o referido cidadão sentiu-se indisposto, pelo que foi necessário esta guarda accionar os meios de emergência, para que lhe fosse prestada a devida assistência médica”..

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