Arquivo: Edição de 20-03-2008
SociedadeUma poeira literária
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Uma frase do escritor Eça de Queirós serviu de mote para José Carlos de Vasconcelos falar da verdade no jornalismo. “Há quem troque o rigor de uma ideia pela sonoridade de uma frase”.
O orador, que considera o jornalismo como “uma forma de literatura em que não há lugar para a ficção”, contou também uma história passada quando trabalhava no já desaparecido “Diário de Lisboa” para sublinhar a necessidade de lutar pela verdade.
Corria o ano de 1967 e o Beatle Paul Mc Cartney passou umas férias no Algarve. O então jornalista Joaquim Letria foi enviado para fazer uma reportagem sobre a celebridade. Após ter feito o trabalho ditou-o pelo telefone para um camarada que estava na redacção chamado César dos Santos que era um grande adepto de adjectivos. “Tinha um livro chamado ‘Algarve, terra morena’ que deve ser dos livros que tem mais adjectivos por metro quadrado”.
O resultado foi um artigo “hilariante” em que o Beatle surgia a falar de “poentes deslumbrantes e miríficos que animicamente lhe vivificavam a criatividade”. E dizia o adjectivador compulsivo para o desconsolado jornalista: “Oh Joaquim, eu pus lá uma poeira literária”.
