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Arquivo: Edição de 20-03-2008

Sociedade

Para José Carlos de Vasconcelos só um bom ser humano pode ser um bom jornalista

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O escritor brasileiro Jorge Amado costumava dizer que “conferências, nem fazê-las, nem ouvi-las”. José Carlos Vasconcelos socorreu-se do dito para “chamar conversa” ao encontro na redacção de O MIRANTE. Ao fim de duas horas foi “imposto” um ponto final porque as conversas interessantes nunca acabam.

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O que é o jornalismo? O que é preciso para se ser um bom jornalista? Os jornais em papel vão desaparecer? Ao longo de duas horas o jornalista e escritor José Carlos de Vasconcelos falou sobre comunicação social e a profissão de jornalista para uma plateia de algumas dezenas de pessoas, na redacção de O MIRANTE em Santarém, ao fim da tarde de quinta-feira, dia 13 e defendeu, citando o jornalista polaco Ryszard Kapuscinsky, que “Só um bom ser humano pode ser um bom jornalista”.

Criticando o estilo agressivo de alguns jornalistas e os programas de má-língua, o director do Jornal de Letras, Artes e Ideias e coordenador editorial da revista Visão, diria a certa altura que, “o jornalismo é uma forma de iluminar as coisas e as pessoas de forma a torná-las compreensíveis”.

José Carlos de Vasconcelos considera que o essencial no jornalismo é dar notícias e lamenta nunca ter conseguido que fosse instituído um prémio para as melhores notícias. “O principal no jornalismo é dar notícias. E dar notícias, ao contrário do que se pensa, é o mais difícil. Algumas pessoas são conhecidas como jornalistas mas nunca escreveram uma notícia. Nem nunca aprenderam a fazer uma notícia. Podem fazer uns textos de opinião mas notícias, não. Confunde-se muito jornalistas com pessoas que escrevem nos jornais ou aparecem nas televisões e nas rádios a dar opiniões”.

Referindo-se a O MIRANTE, disse que o segredo do sucesso do jornal está no facto de dar notícias. “É um jornal único no país e um fenómeno porque, antes de mais, dá notícias. Em cada edição semanal dá entre 120 e 150 notícias. Essa é a razão do seu sucesso”.

Interrogado sobre a relação entre jornalismo e literatura, José Carlos de Vasconcelos, que tem vários livros de poesia editados, explicou que considera o jornalismo “uma forma de literatura onde não há lugar à ficção” e defendeu que a essência do jornalismo é a verdade e o rigor. “Foi na Póvoa de Varzim, a ver passar a volta a Portugal em bicicleta, que senti pela primeira vez vontade de ser jornalista. Achava que andar pelo país com os ciclistas e depois contar aos outros o que se tinha passado era uma coisa fantástica. Pouco tempo depois descobri que o jornalismo também nos permite lutar pela verdade e pela liberdade que, para mim. São os valores essenciais”.

Apesar de continuar a ter uma visão romântica e lírica do jornalismo, o director do JL confessa que aprendeu com a vida a ser pragmático. “Sou romântico mas não sou parvo”.

Formado em direito, José Carlos de Vasconcelos contou que quando foi julgado a primeira vez na sequência de uma queixa de abuso de liberdade de imprensa e difamação deixou de achar interessante o cargo de director de jornal. “Em relação à comunicação social a justiça é terrível. Há coisas que passam sem punição e deviam ser bastante punidas. E há casos em que os jornalistas têm problemas ou são perseguidos por coisas ridículas” . E acrescentou. “Por vezes acontece que são aqueles que menos bom-nome têm para defender que mais queixas apresentam por considerarem que foi posto em causa o seu bom-nome, honra e reputação”.

José Carlos de Vasconcelos, que foi apresentado pelo director-geral de O MIRANTE, Joaquim Emídio, como alguém que “escreve sobre o efémero para ser eterno” “expressão baseada num poema do orador - contou inúmeras e divertidas histórias para ilustrar algumas das suas opiniões.

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