Arquivo: Edição de 13-03-2008
SociedadeMenos crentes na romaria
Menos crentes na romaria a o milagreiro Sousa Martins mas valor das esmolas mantém-se
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A romaria ao jazigo de Sousa Martins no cemitério de Alhandra, que todos os anos assinala o aniversário do médico milagreiro a 7 de Março, registou este ano menos participantes, mas o valor das esmolas é equivalente a anos anteriores.
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A tradição da romaria ao jazigo de Sousa Martins no cemitério de Alhandra a 7 de Março, dia em que se assinala o aniversário do nascimento do médico milagreiro, teve este ano menos participação mas nem por isso o valor das esmolas diminuiu.
O presidente da Junta de Freguesia de Alhandra, Jorge Ferreira, confirmou ao O MIRANTE o decréscimo no número de visitantes ao jazigo de Sousa Martins. “Julgo ter a ver com o aumento do custo de vida”, analisa o autarca. “Para além disso, calhou ser numa sexta-feira, dia de trabalho”, acrescentou. Por causa disso a junta de freguesia decidiu ter o jazigo aberto também no dia seguinte, sábado, esperando ter maior afluência de visitantes. No entanto as expectativas foram goradas. “Deslocámos pessoal para lá, mas praticamente não se justificou. Esperávamos mais gente mas foi um número bastante diminuto”, frisou Jorge Ferreira. Apesar da diminuição do número de visitantes o valor de esmolas foi equivalente ao do ano passado, rondando pouco mais de mil euros. “É difícil quantificar ainda porque há também quem deixe donativos no museu”, explicou. Jorge Ferreira não quis deixar de salientar o trabalho desempenhado pela PSP que este ano fez o patrulhamento do local. “Foi uma colaboração muito boa porque dispõem de mais agentes do que aqueles que tinha a GNR”, referiu.
Mesmo em menor número os fiéis não deixaram de prestar homenagem ao médico. À entrada do cemitério da freguesia do concelho de Vila Franca de Xira sucedem-se as bancas de lembranças, flores e velas que os comerciantes esperam vender nesse dia. A diminuição do número de crentes foi sentida sobretudo pelos vendedores de velas e flores que falam em menos de metade das vendas em dia de romaria.
“Vendemos menos e há menos gente”, garante Maria Antunes, florista que já há cerca de uma década monta banca à porta do cemitério em dia de romaria. “Penso que será porque há muita gente que vem durante o resto do ano, sobretudo ao fim-de-semana”, justifica, acrescentando que as vendas deste ano foram menos de metade das de anos anteriores. Na mesma situação está Maria de Fátima Constantino que vende velas e outras lembranças à entrada do cemitério. “As pessoas têm muito carinho pelo médico mas não têm dinheiro. Já ninguém leva santos maiores, só uma miniatura. Quando levam santos maiores, é porque baixamos o preço e já não ganhamos nada”, refere.
Arlete Mafra chegou a meio da manhã. É a primeira vez que se desloca desde a sua casa na Nazaré até ao Cemitério de Alhandra, para visitar o jazigo de Sousa Martins. Vem, segundo a própria, “para pagar uma promessa”. “Tinha um filho que ficou curado graças a Sousa Martins”, explica, enquanto espera na fila a sua vez de visitar o médico santo. Não muito longe está Matilde Duarte, que nunca falha uma romaria a Sousa Martins. “Venho todos os anos, no aniversário do nascimento e da morte do doutor Sousa Martins”, diz. A 18 de Agosto os crentes também acorrem a Alhandra para assinalar o desaparecimento do médico. Ao seu lado está Maria Madalena Monteiro, também já presença habitual na romaria. “Não tenho dúvidas nenhumas de que se pedir sou sempre atendida”, frisa. Apesar da devoção, a crise afectou também os crentes em Sousa Martins, que não podem gastar tanto dinheiro em velas e flores como antigamente. Paulo Pitache, vendedor de velas e lembranças em honra do médico diz que “a venda faz-se sempre, mas dentro da proporção de visitantes”. E este ano os visitantes foram bastante menos.
