Arquivo: Edição de 17-01-2008
SociedadeCartazes foram retirados por imposição da Real Associação de Leiria-Fátima
Imagem do Duque de Bragança associada a um supermercado gera polémica em Ourém
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“Um infeliz mal entendido”. É desta forma que Domingos Patacho, presidente da Real Associação de Leiria-Fátima, comenta a utilização da imagem do Duque de Bragança, Dom Duarte Pio, em cartazes promocionais da abertura do supermercado Modelo em Ourém. Os cartazes, onde aparecia em grande plano “e a cores” a imagem do Duque de Bragança e, por baixo, “em letras garrafais” a palavra “Modelo”, foram colocados em toda a cidade pouco tempo antes do Natal mas foram retirados pouco mais de uma semana depois.
Para a Real Associação de Leiria-Fátima - que a pedido da Câmara de Ourém autorizou a utilização da imagem do duque depois da aprovação do próprio Dom Duarte -, o nome e a foto foram utilizados abusivamente e para fins não especificados.
Num esclarecimento enviado a O MIRANTE, a real associação refere que o Duque de Bragança correspondeu ao pedido da câmara “com o único sentido de ajudar a promover a história e cultura do concelho do qual é conde”. E mediante a garantia de que o uso gratuito da fotografia e dos respectivos brasões de armas “eram somente utilizados para fins culturais”, o que, em seu entender, não veio a acontecer.
“Verificou-se o incumprimento das condições impostas e, ao contrário do que havia sido proposto e acordado, o nome e a imagem de Dom Duarte foi abusivamente associada a uma campanha promocional, ligada a um evento de inauguração de um centro comercial de uma cadeia de hipermercados. Campanha e marca que nunca havia sido referida no pedido inicial feito pela câmara ou em qualquer outra correspondência trocada”, pode ler-se na nota enviada ao nosso jornal.
Acusações que a Câmara de Ourém contesta. Agastado com a questão, o presidente do município diz que o propósito do pedido estava desde início subjacente à campanha da Sonae e que os membros da Real Associação de Leiria-Fátima dela tinham conhecimento. David Catarino remete para o ofício enviado pela câmara àquela entidade, a 9 de Outubro. A missiva refere que “o município de Ourém, empenhado em promover a divulgação da História de Ourém, pretende associar-se ao Grupo Sonae na iniciativa de criar uma imagem identificativa do concelho, a qual será exposta em vários locais da cidade, em mupis com cerca de 3m de altura por 2 m de largura. No final do ano de 2007, a imagem tratada e exposta no respectivo painel integrará uma Exposição de cariz nacional, subordinada ao tema – «maravilhas de Portugal»”.
“Nesse sentido”, adianta o ofício, “o município tem como proposta a disposição sequencial de 3 Condes de Ourém, respectivamente, o 3.º Conde, D. Nuno Álvares Pereira, o 4.º Conde, D. Afonso e Sua Exa. D. Duarte Pio de Bragança. Essa imagem será acompanhada por um texto sucinto, que abordará a identificação dos três Condes de Ourém e a sua ligação ao concelho em enfoque. Solicitamos pois a Sua Exa. Digníssimo D. Duarte, autorização para utilizarmos a imagem de Sua Exa. para os fins culturais a que nos propomos”.
“Eles sabiam desde o início o que estava em causa. Por isso estranho agora este alarido”, salienta o autarca, adiantando que os cartazes foram retirados pelo departamento de marketing da referida cadeia de hipermercados. “Depois de um pedido de desculpas de um porta-voz da mesma cadeia, que lamentou o equívoco”, salienta a Real Associação de Leiria-Fátima. O MIRANTE tentou obter um esclarecimento por parte da Sonae, que não foi possível até ao fecho desta edição.
