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Arquivo: Edição de 27-12-2007

Sociedade

Núcleo Mulher Menor de Vila Franca recebeu até ao final do ano 181 queixas
Mulheres são maiores vítimas de violência doméstica, mas homens também já começam a denunciar

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As mulheres são as principais vítimas de violência doméstica, mas alguns homens começam a apresentar queixa. São sobretudo idosos que se queixam de falta de assistência.

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O Núcleo Mulher Menor (NMUNE) do Destacamento Territorial da Guarda Nacional Republicana de Vila Franca de Xira recebeu 181 denúncias de casos de violência doméstica ao longo de 2007, segundos dados oficiais divulgados a O MIRANTE. Os processos incluem casos de violência doméstica e maus-tratos a crianças e a idosos.

A maioria das vítimas são mulheres, mas os homens também começam a apresentar queixa, como confirma Catarina Maurício, uma das militares do Núcleo Mulher Menor, especializada em investigação criminal na área da violência doméstica. Os casos do sexo masculino correspondem normalmente a idosos que se queixam que o cônjuge se recusa a tratar-lhe da roupa e a garantir-lhe a alimentação.

O homem sofre sobretudo maus-tratos verbais. “As mulheres funcionam muito com a chantagem e com a ameaças”. A mulher é sujeita sobretudo à violência física, mas também à psicológica. “Uma violência que é difícil visualizar”, analisa Catarina Maurício.

As crianças também são vítimas, ainda que secundárias, porque acabam por presenciar tudo. “Quando há crianças envolvidas sinalizamo-las logo para a protecção de menores. De alguma forma acabam por ser marcadas com a situação”, analisa.

As denúncias são feitas nos vários postos da GNR – os oito na área do destacamento - que estão mais próximos da população, mas Catarina Maurício revela que muitas pessoas têm conhecimento da existência do núcleo, nas instalações da GNR em Vila Franca de Xira, e deslocam-se lá directamente. A vítima desloca-se ao posto ou a patrulha vai ao local alertada por vizinhos. “Há pessoas que fazem chamadas anónimas a denunciar actos de violência independentemente da vontade da vítima”, ilustra.

Um dos casos que mais impressionou a militar foi o da mulher que ao fim de 40 anos decidiu apresentar queixa do marido. “Não deve ser uma situação nada fácil. E muitas mulheres não conseguem dar esse salto. Mas se quiserem nós temos tudo preparado para as ajudar”, refere lembrando que é preciso esperar.

O sistema funciona articulado a nível nacional e já têm acolhido na zona mulheres do norte. Catarina Maurício lembra que muitas vezes tudo prende a mulher à casa porque é obrigada a sair sem nada. Muitas têm a ajuda dos filhos para sair de casa.

Catarina Maurício recorda o caso de uma mulher que era mantida em casa e controlada pelo marido e que conseguiu pedir a um familiar que pedisse ajuda às autoridades. A GNR foi ao local, depois de localizar a chamada, e resgatou a mulher de casa que já tinha as malas feitas e escondidas e um bilhete de avião numa das meias. “Conseguimos antecipar-lhe o voo. Foi um daqueles exemplos em que tudo funcionou, mas entretanto a mulher falou ao telefone com o marido e acabou por voltar atrás e não embarcou”, exemplifica.

A militar lembra que qualquer cidadão tem o dever de denunciar um crime público e adianta que mesmo que não seja vontade da vítima denunciar o ministério público avança. “Já nos tem acontecido dizerem: só o queria chamar à razão. Queria meter-lhe um bocadinho de medo”..., revela, adiantando que muitas conseguem quebrar o elo de ligação e refazer a vida.

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