Emprego
Classificados
Meteorologia
Farmácias
Resultados Futebol

Arquivo: Edição de 13-12-2007

Cultura e Lazer

Colóquio sobre poesia evocou os anónimos que declamavam nas fábricas
Falta um dicionário das obras e dos autores neo-realistas

foto

Os poetas anódinos que declamavam às portas das fábricas foram evocados no encontro sobre poesia neo-realista, em Vila Franca de Xira. Os convidados lembraram que ainda não está escrito o dicionário das obras e dos autores para perpetuar os grandes expoentes do movimento.

Por: Ana Isabel Borrego

Imprimir ArtigoComentar ArtigoEnviar para um amigoAdicionar aos favoritos

Uma das conclusões do debate sobre poesia neo-realista, que decorreu domingo, 9 de Dezembro, no auditório do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, é a de que falta ainda fazer um dicionário de nomes e obras de todos os poetas portugueses do movimento neo-realista. Segundo Arquimedes da Silva Santos o trabalho já terá sido iniciado por Alexandre Pinheiro Torres, também ele um escritor deste movimento, entretanto já falecido. Mas, até hoje, que se saiba, ninguém deu continuidade a esta obra e admite-se até que, depois da sua morte, o trabalho de investigação tenha ficado esquecido, não sendo possível saber em que estado estará.

Os oradores convidados do colóquio, Vítor Viçoso e Fernando Pinto do Amaral, ambos professores universitários, - Eduardo Pitta era outro orador convidado mas não compareceu - concordam com a urgência de dar nome a todos os escritores e artistas do movimento que teve em Alves Redol e Carlos de Oliveira grandes protagonistas.

Como foi referido na plateia existem muitos poetas que não figuram na história, mas que andaram nas portas das fábricas a mostrar e declamar os seus poemas. Ana Maria Gomes, 62 anos, considera-se uma desses poetas que não viram o seu trabalho reconhecido mas escreviam sobre tudo o que lhes ia na alma naqueles tempos de repressão quando era quase tudo proibido. “Nas fábricas e nos campos havia muita gente que conseguia saber muito sem ter instrução. Era inato, um sentimento que saía de dentro da pessoa, emoção ou raiva que a levava a dizer o que sentia no momento. Como naquele tempo podíamos ser punidos dizíamos o que pensávamos e sentíamos em verso cantado, o que por vezes se tornava mais significativo”, recorda Ana Maria Gomes que começou a escrever aos sete anos por influência do pai, também ele poeta.

Um dos membros fundadores do chamado grupo neo-realista de Vila Franca de Xira, Arquimedes da Silva Santos, seguiu com atenção toda a sessão moderada pelo director do Museu. O poeta contou a O MIRANTE que o movimento neo-realista entrou na sua vida aos 15 anos e comprometeu muito a sua juventude. “A guerra de Espanha abalou muito a nossa juventude porque sentimos que havia qualquer coisa no mundo que se estava a modificar e como éramos jovens cheios de ideais e sonhos queríamos fazer parte dessa mudança”, explica.

Durante o colóquio questionou-se muito a diferença entre poesia neo-realista e poesia popular e chegou-se à conclusão que o objectivo dos poetas neo-realistas era serem, também eles, populares. Fernando Pinto do Amaral e Vítor Viçoso falaram durante duas horas e meia de forma entusiasmada da história de vários autores neo-realistas para cerca de meia centena de participantes. Tanto um como outro mostraram conhecimento sobre a matéria embora tenham feito jus às suas profissões de professores universitários: Dialogaram pouco com a plateia e recorreram muito aos livros para falarem daquilo que a vida deu à literatura de outros tempos.

Diga o que pensa sobre este Artigo. O seu comentário será enviado directamente para a redacção de O MIRANTE.

Gostei Concordo
Comentários
Nome Email
Autorizo a eventual publicação na edição em papel do Mirante.

2008 © Jornal O MIRANTE, todos os direitos reservados | Termos de Utilização | Política de Privacidade | FAQ’S | Contactos | RSS

Voltar ao topo