Arquivo: Edição de 22-11-2007
SociedadeMunicípio admite que nova infra-estrutura trará maiores benefícios à região
Barragem no Tejo faz submergir açude insuflável de Abrantes
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A nova localização proposta pelo Instituto da Água (INAG) para a instalação de uma barragem no Tejo – entre Constância e Montalvo – irá fazer submergir o açude insuflável e grande parte dos equipamentos da zona ribeirinha de Abrantes, construídos no âmbito do projecto Valtejo. Uma possibilidade que os autarcas do concelho conhecem e admitem porque, entre o deve e o haver, “Abrantes e a região saem a ganhar com a construção da barragem”. Mesmo que se “afundem” projectos inaugurados há menos de um ano e investimentos superiores a 20 milhões de euros, realizados com dinheiros comunitários. “Temos a obrigação política de ver as coisas a longo prazo e não a curto prazo”, justifica o vice-presidente da Câmara de Abrantes, Pina da Costa (PS).
A consulta pública do projecto de construção de uma barragem no Tejo junto a Constância terminou no dia 13 de Novembro, uma semana após a última reunião entre o INAG e os autarcas dos quatro concelhos ribeirinhos abrangidos pela futura infra-estrutura – Abrantes, Chamusca, Constância e Vila Nova da Barquinha. Nessa reunião foi dado a conhecer aos autarcas uma nova localização – a montante de Constância (abandonando-se a primeira opção, mais perto do Castelo de Almourol) e novos dados sobre o equipamento.
A proposta do INAG, sobre a qual as autarquias já se pronunciaram por escrito, refere uma barragem edificada à cota 31 (no mínimo tem de ficar à cota 30 para ser rentável), com uma coluna de água útil de 12 metros de altura. É considerada como a barragem com mais caudal e a terceira mais rentável das 10 infra-estruturas previstas para o país, estimando-se uma rendibilidade anual de produção energética da ordem dos 30 milhões de euros.
O reverso da medalha é a grande área de margem que, a fazer-se a barragem, irá ficar submersa. Não só campos de cultivo mas também equipamentos públicos inaugurados recentemente e de elevados custos. Como o açude insuflável de Abrantes (instalado à cota 23) e grande parte dos equipamentos feitos na zona ribeirinha da cidade, no âmbito do projecto Aquapolis. Apesar deste facto, a Câmara de Abrantes “não quis à partida fechar a porta” à construção da nova barragem, como referiu a O MIRANTE o vice-presidente da autarquia.
Pina da Costa salientou que o município pesou os prós e os contras da edificação da nova infra-estrutura, considerando que sairá a ganhar mais que a perder com a construção da barragem. “Com a barragem podemos ganhar um plano de água de 30 quilómetros, contra os actuais seis quilómetros dados pelo açude; podemos perder algumas das infra-estruturas ribeirinhas mas ganhamos se elas forem feitas em outro local do rio, pela empresa que construir a barragem; e ganhamos maiores potencialidades turísticas para a região”, salientou o autarca.
“Construção do açude foi
uma decisão oportuna num
determinado tempo”
Para Pina da Costa esta é uma decisão política que poderá não ser entendida por todos, mas a autarquia tem a obrigação de explicar aos munícipes todas as implicações, boas e más, que poderão advir da construção da futura barragem. “E tenho a certeza que eles irão entender o nosso ponto de vista”, garante.
Um ponto de vista que se baseia também numa efectiva diminuição de custos para o município. Nomeadamente em relação ao açude insuflável que tem elevados encargos de manutenção. Actualmente esses custos são suportados pela empresa que o construiu mas dentro de cinco anos o ónus passará para a câmara. Com a submersão do açude, a situação fica automaticamente resolvida. “A construção do açude foi uma decisão oportuna num determinado tempo mas as coisas evoluem”, justifica o autarca.
A acontecer a construção da barragem cai também por terra a mini-hídrica que a Lena Ambiente previa instalar no açude e da qual já tinha solicitado um parecer à câmara, com esta a mostrar-se receptiva ao projecto (reunião do executivo de 25 de Setembro). “No actual cenário a mini-hídrica deixa de fazer sentido”, confirma Pina da Costa.
Após o período de consulta pública (que terminou dia 13) o INAG irá agora debruçar-se sobre as sugestões/reclamações apresentadas. Da análise dessa informação tomará uma decisão – ou avança com o estudo de viabilidade e impacte ambiental da barragem ou, pesado os prós e os contras, deixa cair o projecto. A avançar, prevê-se que a barragem no rio Tejo entre em funcionamento dentro de uma década.
