Arquivo: Edição de 27-09-2007
SociedadePapéis com mais de 30 anos e valor histórico misturados com entulho junto ao campo da feira
Documentos da Câmara de Alpiarça foram atirados para o lixo
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Processos de 1979, planos de actividades e até um dossier de uma vereadora com assuntos de reuniões de executivo encontrados em montes de entulho proveniente das obras do edifício camarário. |
Documentos da Câmara de Alpiarça que deviam estar num arquivo ou deviam ter sido destruídos se já não tivessem importância para o município foram encontrados no meio de um monte de entulho resultante dos trabalhos de recuperação do edifício municipal que estão em curso. Pastas com alguns papéis com valor para a história do município estavam misturados com tijolos e terra e alguns foram salvos pelo eleito da assembleia municipal João Osório, da bancada da CDU, que deu com a situação.
Entre os vários documentos encontram-se o último plano de actividades da câmara antes do 25 de Abril, datado de 3 de Dezembro de 1973. Além de vários papéis manuscritos por autarcas que passaram pelo município há muitos anos. Há ainda processos de 1969 como um relatório de gerência do município assinado pelo então presidente António Saldanha. Há ainda outros registos históricos, como o relatório da comissão administrativa de Julho de 1974 a Dezembro de 1976 e um relatório da Instituição José Relvas datado de 1979. Espólio que João Osório prometeu entregar à presidente da assembleia municipal, Vera Noronha.
Os documentos foram encontrados num terreno na zona da Bagageira, perto do campo da feira onde são realizados os certames como a Feira do Vinho ou a Alpiagra. É neste terreno, para onde está prevista a construção de habitações a custos controlados, que têm sido despejados os entulhos da câmara o que acaba por dar um aspecto de lixeira ao local, próximo de casas de habitação. Há ainda papéis com identificação de pessoas, até com fotografias de crianças que participaram em actividades organizadas pela autarquia que estavam à mão de qualquer pessoa. No local encontrava-se também um dossier da vereadora Vanda Nunes com processos referentes a reuniões do executivo camarário, como processos de obras, entre outros.
Os documentos estariam no edifício camarário que está em obras, já que os serviços estão a funcionar num novo espaço contíguo. Desconhece-se como foram parar ao lixo. O presidente da câmara, Joaquim Rosa o Céu (PS), considerou a situação condenável e disse que foi aberto um inquérito interno para apurar o que se passou para que documentos que deviam estar no arquivo fossem parar ao lixo.
Este tipo de situação não é inédito na região e demonstra alguma falta de cuidado que alguns municípios têm em relação aos seus documentos. Em Fevereiro do ano passado O MIRANTE encontrou documentos oficiais da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha no meio de uma enorme lixeira a céu aberto, junto à ribeira de Laveiros, Tancos. Na altura o presidente do município, Miguel Pombeiro (PS) mostrou-se “chocado” e incrédulo. No local estavam projectos de obras, como uma estrada de acesso à escola da Praia do Ribatejo ou a recuperação de um chafariz na sede de concelho e regulamentos sobre taxas e licenças camarárias, todos com mais de 20 anos.
