Arquivo: Edição de 06-09-2007
SociedadeAgrediu um homem com um machado e continua a fazer ameaças de morte
Médico do Centro de Saúde de Alverca aterroriza vizinhos
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O clínico aguarda julgamento em liberdade e continua a atender os seus doentes. Os vários testes revelaram que não tem anomalia psíquica e tem consciência dos seus actos.
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A 21 de Dezembro de 2005, às portas de mais um Natal, João Tremoço foi agredido com duas machadadas na cabeça pelo vizinho, Camilo Vasconcelos, morador na Urbanização Quinta da Maranhota, em Vialonga, e médico no Centro de Saúde de Alverca. Este foi o episódio mais marcante de uma história que vai já demasiado longa. Olinda Cadete e João Tremoço já conheciam o médico quando se mudaram para a Quinta da Maranhota, em 2004, mas nunca tinham tido qualquer desentendimento. Outros vizinhos da urbanização, por outro lado, queixavam-se já da atitude e o comportamento do médico.
Desde que começou a viver no mesmo prédio que o casal nunca mais teve sossego. Ainda nesse mesmo ano, 38 moradores da urbanização assinaram um abaixo-assinado que foi depois entregue na delegação de saúde do Forte da Casa, alertando para as frequentes ameaças de morte proferidas pelo médico. Antes disso, a polícia já tinha sido chamada ao local diversas vezes. “A partir do momento em que nos mudámos para cá começou a ofender-nos e a dizer que traficávamos droga”, lembra Olinda Cadete. As vozes dos vizinhos que anteriormente corroboravam os alertas de Olinda Cadete calaram-se depois da agressão a João Tremoço. “Agora não falam porque têm medo”, frisa a moradora. Segundo Olinda Cadete, o abaixo-assinado terá chegado às mãos do médico, que tenta agora vingar-se de todos os subscritores. “É um pânico constante. Um dos vizinhos até já se mudou”, queixa-se a moradora, que guarda várias dezenas de bilhetes com ameaças dirigidas a várias pessoas que o médico ora atira para a rua, ora coloca nas caixas de correio.
As imagens do dia da agressão continuam bem gravadas na memória do casal, com dois filhos a viverem na mesma casa e sujeitos também às ameaças do médico. “Comecei a ouvir gritaria e não liguei. Ele andava a ameaçar o meu filho e ele estava para chegar por isso fui lá falar com ele mas ele não me abriu a porta”, descreve Olinda Cadete. Segundo o relato do casal, foi então a vez de João Tremoço ir bater à porta do médico. “Ele já tinha tudo programado, tinha a porta encostada. Só vi o sangue a espirrar para a ombreira. Deu a primeira machadada e depois a segunda e acertou. Depois puxou-o para dentro. A sorte foi ficar com as marcas de ter sido puxado”, refere. João Tremoço foi levado para o Hospital Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira, onde levou vinte pontos duplos na cabeça.
Camilo Vasconcelos está agora a aguardar julgamento em liberdade. “Está com termo de identidade e residência e proibido de contactar connosco. Mas contacta e a polícia não faz nada”, frisa ainda Olinda Cadete. O casal apresentou também uma queixa na Ordem dos Médicos. “Como é que um homem que faz ameaças de morte pode cumprir um juramento de salvar vidas?”, questiona a moradora. Segundo Olinda Cadete, mesmo depois da agressão, as constantes ameaças nunca pararam. “Pega fogo a coisas, faz macumbas no quintal. Tenho tudo filmado, gravado em áudio e fotografado”, refere. Olinda Cadete diz que já telefonou à Polícia Judiciária enquanto o médico a ameaçava de morte. “Eles ouviram pelo telefone. Disseram-me que não podiam fazer nada e para chamar a GNR”, recorda.
“Ele deu as machadadas para matar. O tribunal ficou com o machado e ele comprou outro. Estão à espera que ele mate mesmo?”, questiona o casal. O médico foi por duas vezes submetido a testes médicos para avaliar a sua inimputabilidade e em nenhuma das vezes os testes acusaram qualquer problema psicológico. Os vizinhos suspeitam, no entanto, de esquizofrenia, dado que alguns dos recados atirados pela janela são escritos em caixas de medicamentos prescritos para doentes esquizofrénicos. Olinda Cadete e João Tremoço dizem já ter pensado em deixar a casa mas não podem fazê-lo. “Esta casa era um sonho que se transformou num pesadelo”, confessa a moradora.
O médico foi entretanto convocado pela Ordem dos Médicos para uma reunião informal, no passado dia 27 de Agosto, com a presidente do concelho regional do sul da entidade, a fim de averiguar se tem ou não condições de exercer medicina. O MIRANTE tentou falar com o médico, Camilo Vasconcelos, mas o mesmo escusou-se a prestar declarações e referiu-se a João Tremoço como “o homem que entrou dentro de minha casa e me agrediu”. O clínico disse ainda que processo está a decorrer e qualquer contacto deve ser feito com o seu advogado, mas recusou informar quem é o seu defensor.
