Arquivo: Edição de 23-08-2007
SociedadeO MIRANTE encontrou entusiastas com diversas colecções para todos os gostos e carteiras
Coleccionadores viajam no tempo com objectos de valor material e sentimental
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Coleccionar é um passatempo que ocupa horas a fio e pode envolver investimentos avultados ou apenas doses de paciência.
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“Fazer coleccionismo é viajar no tempo”. Quem o garante é Hipólito Cabaço, vilafranquense e coleccionista, organizador das feiras de velharias/coleccionismo e artesanato da cidade. Na sua casa em Vila Franca, Hipólito Cabaço guarda objectos que são verdadeiras raridades. Conhecido pela sua paixão pelos automóveis, que o leva a ser dono de uma colecção de veículos antigos, Hipólito Cabaço possui ainda várias outras colecções, desde motas até relógios, canetas, rádios antigos e discos de vinil. O coleccionador dispersa-se assim por várias colecções algo que, segundo diz, não é aconselhável aos coleccionadores. De acordo com Hipólito Cabaço, a maioria dos “bons coleccionadores” concentram-se numa só colecção.
O ex-libris das colecções de Hipólito Cabaço é o MGB vermelho de 1967, o primeiro automóvel da sua colecção, que inclui ainda Volkswagen dos anos 70 e quatro automóveis Fiat da década de 60. Ao lado do MGB está a primeira mota do coleccionador, uma Harley Davidson de 1951 que pertencia à polícia de trânsito. As paredes da garagem de Hipólito Cabaço enchem-se de revistas dedicadas às suas colecções. Carros, relógios, canetas... inúmeros objectos que foi adquirindo ao longo dos anos, nos mais diversos locais. Tem mais de cem relógios. “Quem gosta de carros geralmente gosta de relógios”, explica o coleccionador. “São ambos instrumentos de precisão”. As colecções de Hipólito Cabaço ajudam a preservar algumas memórias. Como a pilha de discos de vinil com a inscrição Ibéria, a fábrica de discos que existiu em Vila Franca no início do século passado e da qual já poucos se devem lembrar. “É bom que haja alguém que preserve estas coisas”, frisa.
Hipólito Cabaço garante que, apesar de ser um grande investimento, incomportável para a maioria das bolsas, o coleccionismo vale a pena. “Pela cultura e pelas amizades que fazemos”, diz. O interesse em preservar a história pode ter sido uma herança do seu avô, um conhecido arqueólogo de Alenquer. A Hipólito Cabaço interessam-lhe as peças especiais. No caso dos relógios, o mais importante está num cofre. “É um Bulgari. Só se fizeram 150 e o meu é o número 104”, descreve. O coleccionador frequenta vários locais em busca dos objectos que lhe interessam mas, segundo o próprio, “acabamos sempre por ir parar à Feira da Ladra”. O coleccionador sabe que os filhos não têm tanto interesse no coleccionismo mas acredita que estão sensibilizados para a herança que lhes irá caber um dia. A próxima edição da feira de velharias/coleccionismo e artesanato de Vila Franca de Xira, organizada por Hipólito Cabaço, vai decorrer no primeiro sábado de Setembro. O coleccionador destaca o apoio dado pelo presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, José Fidalgo, que desde o ano passado decidiu abraçar a iniciativa.
Do outro lado do Tejo, em Benavente, é Manuel Soares o responsável pela organização das feiras de coleccionismo. A sétima edição acontece no próximo dia 6 de Outubro, no Centro Cultural de Benavente. “Desde tenra idade que sempre me lembro de ter tido uma predilecção por juntar objectos”, afirma Manuel Soares, coleccionador de moedas. “Já fiz colecções de caixas de fósforos, sinos e chávenas de café”, enumera. Manuel Soares adquire as suas moedas em viagens tanto por Portugal como no estrangeiro. Possui moedas de todas as emissões do escudo. “Não faço a mínima ideia de quantas tenho”, diz. Entre as séries de moedas mais especiais, Manuel Soares destaca as moedas dedicadas aos Descobrimentos, aos Pauliteiros de Miranda, às comemorações do 25 de Abril, da Ponte Vasco da Gama e da Ponte Marechal Carmona. Entre outros locais, o coleccionador recorre sobretudo à Casa da Moeda para aumentar a sua colecção, que organiza depois em álbuns, por anos e por séries. Para além disso, o coleccionador que nasceu na Guarda mas que há trinta anos escolheu Benavente para viver, percorre as feiras de coleccionismo que se realizam um pouco por todo o país.
Fátima Marques não frequenta feiras de coleccionismo mas, sempre que pode, procura mais um exemplar para a sua já vasta colecção de pacotes de açúcar. Tudo começou em 1977, recorda a coleccionadora da Póvoa de Santa Iria. Numa viagem no norte do país, parou para beber um café com uma amiga e a açúcar vinha num pacote feito em papel de seda. Na altura, os pacotes ainda não eram colocados no balcão à disposição do cliente. Fátima Marques gostou tanto que pediu ao empregado do café que lhe oferecesse outro pacote e decidiu começar a coleccioná-los. Hoje tem mais de 500 pacotes de açúcar, das mais diversas formas, cores, tamanhos e origens. Já chegou até a fazer trocas com outros coleccionadores mas nunca se associou a nenhum clube. A colecção de pacotes de açúcar, embora simples, tem um nome complexo: Periglicofilia. São muitas as pessoas que se dedicam a esta colecção e as marcas, atentas a esse fenómeno, já lançam edições de pacotes de açúcar limitadas, dedicadas a um dado tema. O pacote que iniciou a colecção é, para Fátima Marques, o mais especial. Para além disso, as edições comemorativas do casamento de Dom Duarte ou do baptismo dos filhos do duque são também pacotes que guarda com cuidado.
