Arquivo: Edição de 11-07-2007
SociedadeTravessia custa 1,25 euros e utentes da Via Verde podem passar a 120 Km/hora
Ponte da Lezíria inaugurada com cerimónia e muita festa para o povo
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A inauguração oficial, presidida pelo primeiro-ministro, foi vedada ao povo que só entrou na ponte depois de saírem os convidados institucionais. Centenas de pessoas participaram na festa financiada pelas autarquias.
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A Ponte da Lezíria, que liga Carregado (Alenquer) e Benavente, foi inaugurada domingo numa cerimónia que se realizou a dois tempos, com a presença do primeiro ministro José Sócrates ao final da manhã e com a abertura da ponte aos festejos populares, da parte da tarde. Duas festas separadas que impediram o contacto entre o povo e o primeiro-ministro e autarcas. As restrições à entrada na cerimónia com o primeiro-ministro levaram inclusivamente ao cancelamento de uma manifestação que os utentes do Centro de Saúde de Alenquer tinham programado.
A nova ponte sobre o Rio Tejo tem uma extensão de doze quilómetros de ponte e viadutos construídos sobre uma das mais sensíveis áreas ambientais do país, a Lezíria do Tejo, e que representaram um investimento de cerca de 243 milhões de euros. A nova ponte levou cerca de dois anos a estar concluída e é a maior obra de engenharia em Portugal dos últimos anos. Com esta nova infra-estrutura fica concluído o último troço da A10 – auto-estrada Bucelas/Carregado/IC13.
A Ponte da Lezíria irá contribuir para o descongestionamento da Ponte Marechal Carmona, que liga Vila Franca de Xira ao Porto Alto, esperando-se uma diminuição média do tempo de atravessamento da Recta do Cabo. As reduções de tráfego noutros troços provocadas pela abertura desta nova infra-estrutura deverão beneficiar cerca de 55 mil viaturas por dia. A nova ponte, totalmente pensada e executada em português, traz também uma novidade que deverá ser em breve implementada noutras estradas do país: os utilizadores da Via Verde não terão que reduzir a sua velocidade na Ponte da Lezíria e não passarão por nenhuma barreira física. Os utilizadores da ponte vão pagar 1,25 euros para atravessá-la.
O primeiro-ministro José Sócrates salientou a importância desta nova infra-estrutura na união dos habitantes da Lezíria. “Esta obra vem reforçar essa união, criar uma aproximação regional e contribuir para que o espírito lezíria se verifique”, frisou, na cerimónia de inauguração. “A partir de hoje, essa consciência de pertença regional fica mais aprofundada”, acrescentou. Questionado sobre a ligação entre a nova infra-estrutura e a localização do novo aeroporto de Lisboa, José Sócrates garantiu que uma coisa nada tem a ver com a outra. O primeiro-ministro afirmou ainda desconhecer a manifestação dos utentes de saúde de Alenquer e frisou que a divisão da festa não teve como fim evitar as manifestações de desagrado da população. “Tenho que saber conviver com os apupos e com os aplausos”, justificou.
Para além desses protestos, há também os dos proprietários dos barcos de recreio que não conseguem passar por debaixo da ponte, uma situação que não foi devidamente acautelada no projecto. Sobre esse aspecto, a presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha (PS), acrescentou que mantém a sua tomada de posição e que tem tido algumas respostas. “Queremos fazer o percurso com a Brisa no nosso Barco Varino”, acrescentou a edil.
Agora, com a ponte já concluída, a única opção será esperar pela maré mais baixa para atravessar a ponte. Também presente na cerimónia, o autarca da Câmara Municipal de Benavente, António José Ganhão (CDU), afirmou que a Ponte da Lezíria é a obra mais importante para o seu município desde a construção da Ponte Marechal Carmona. No entanto, Ganhão alerta que não quer ver Benavente transformado “em mais um dormitório da cidade de Lisboa”.
