Emprego
Classificados
Meteorologia
Farmácias
Resultados Futebol

Arquivo: Edição de 16-05-2007

Sociedade

PSP montou operação relâmpago e apanhou oito pessoas em flagrante
Mãe tenta vender bebé à porta de supermercado de Vila Franca

foto

Os oito suspeitos de envolvimento na tentativa de vender um bebé por 10 mil euros foram libertados. Em Portugal a venda de um filho não é considerado um crime. Só há lugar a detenção se existirem indícios de que seja para práticas sexuais, tráfico de órgãos ou maus-tratos. O bebé foi retirado à mãe e está confiado à Segurança Social.

Por: Vera Alves

Imprimir ArtigoComentar ArtigoEnviar para um amigoAdicionar aos favoritos

Oito cidadãos romenos foram apanhados em flagrante, na tarde da passada sexta-feira, quando tentavam vender um bebé de quatro meses a uma imigrante de leste junto ao supermercado Pingo Doce, em Vila Franca de Xira. Entre os elementos estava a mãe da criança que o grupo estava a tentar vender por 10 mil euros. O bebé, do sexo masculino, tem nacionalidade portuguesa e está registada na Conservatória do Porto. Foi ao início da tarde que um enorme aparato tomou conta da cidade de Vila Franca de Xira. Ao longo da principal rua da cidade, grupos de pessoas juntaram-se para comentar o que estava a acontecer. Fosse na rua ou nas varandas, não houve quem não se apercebesse de que algum acontecimento perturbava a calma daquela tarde. As versões variavam entre o rapto de um bebé e a tentativa de venda da criança que veio mais tarde a confirmar-se. Fosse qual fosse a versão relatada, a comunidade local não escondia o choque pelo sucedido.

“Recebemos uma denúncia ao final da manhã e depois colocámos homens no terreno”, explicou ao O MIRANTE o sub-comissário da PSP de Vila Franca de Xira, Carlos Fernandes. Os elementos da PSP à paisana acabaram por apanhar o grupo em flagrante delito quando estes tentavam convencer uma mulher a comprar o bebé, junto às escadas de acesso ao supermercado. O grupo de cidadãos romenos era já uma presença comum nas ruas da cidade, estando referenciado por mendicidade. Não há, no entanto, registos de quaisquer desacatos provocados pelo grupo anteriormente.

“Vi uma enorme confusão na rua e pensei que estavam a roubar alguma coisa. Nem quis olhar muito para o que se estava a passar”, relata uma funcionária de um estabelecimento comercial ali perto que preferiu não identificar-se. “Só depois de a polícia chegar e levá-los é que percebi o que se passava”. “Ainda cheguei a ver a bebé ao colo de uma mulher polícia num restaurante”, acrescenta. Segundo a testemunha, a acção da polícia foi muito rápida e não foi prejudicada pelo aparato de pessoas que se juntaram para tentar perceber o que se passava. Prestes a ser mãe, a funcionária diz não compreender o que leva uma mãe a tentar vender um filho. “Isto choca-me muito mas também me choca que eles estejam agora em liberdade”, acrescenta.

Segundo alguns relatos, a tentativa de vender o bebé tinha já começado há uns dias quando uma cidadã residente em Vila Franca começou a receber telefonemas nos quais alguém a convidava a comprar a criança. Junto à porta do supermercado, testemunhas do sucedido afirmam que a mãe da criança insistia na venda, sugerindo vários preços. A denúncia recebida pela polícia naquela manhã foi fundamental para pôr termo à situação. O bebé, que segundo testemunhas, aparentava estar em bom estado de saúde, foi levado para o hospital de Vila Franca de Xira, onde foi observado, tendo sido posteriormente entregue à Segurança Social. O menino deverá ser colocado num centro de emergência para crianças em risco até que o Tribunal de Família e Menores conclua o processo de investigação. As oito pessoas foram constituídas arguidas e postas em liberdade, com termo de identidade e residência. “Não havia enquadramento legal para apresentá-las ao Ministério Público”, explicou Carlos Fernandes, que frisa que caberá agora ao Ministério Público decidir se vai ou não instaurar um processo-crime.

Diga o que pensa sobre este Artigo. O seu comentário será enviado directamente para a redacção de O MIRANTE.

Gostei Concordo
Comentários
Nome Email
Autorizo a eventual publicação na edição em papel do Mirante.

2008 © Jornal O MIRANTE, todos os direitos reservados | Termos de Utilização | Política de Privacidade | FAQ’S | Contactos | RSS

Voltar ao topo