Arquivo: Edição de 22-11-2006
SociedadeDoce conventual para comercializar a nível nacional
Pasteleiro cria “pastorinhos” para ajudar a pagar dívidas da igreja de Alverca do Ribatejo
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“Os pastorinhos” adoçam a boca aos fiéis mais gulosos e geram receitas para ajudar a pagar as dívidas de milhões que ficaram depois da construção da igreja em Alverca |
A procura de “os pastorinhos” começa a ser cada vez maior. O doce conventual inventado por Domingos Barreto é já uma referência para os apreciadores mais fiéis.
“Estou conquistado”, referiu Valter Capeleiro, confesso apreciador do doce, que costuma acompanhar ocasionalmente com um café. Já Carla Santos diz que “são deliciosos”, não poupando, por isso, encómios à guloseima em forma de queque. Em jeito de análise, refere que “além de serem húmidos, têm gila e amêndoa”, por isso, “não são tão maçudos no paladar”.
São elogios como estes que fazem o proprietário da pastelaria “A Natinha” - localizada em Alverca do Ribatejo, a meia centena de metros do Centro Paroquial João Paulo II - projectar a comercialização do seu produto a nível nacional.
E a receita até é simples. Em Janeiro, será criada uma página na internet dedicada ao referido doce conventual. Com isso, Domingos Barreto pretende promover a marca via ciberespaço, ao mesmo tempo que diligenciará no sentido de estabelecer possíveis contactos tendo em vista a distribuição do produto pelos vários pontos do país.
Com os meios de comunicação e transporte actualmente existentes, Domingos Barreto não descarta também a comercialização do bolo, tanto nas ilhas dos Açores e da Madeira, como no estrangeiro. “É tudo uma questão de oportunidades. Vamos por etapas. Iremos conforme o barco andar”, garantiu.
Por enquanto, está já assegurado “a partir de Janeiro próximo” o fornecimento do doce a seis pontos da região, disse, acrescentando que “no início deste mês fui contactado por uma empresa de distribuição que propôs a compra de uma média de 50 dúzias de embalagens por semana”.
Lembrando como tudo começou, Domingos Barreto fez questão de aludir a ligação do bolo em forma de queque ao padre que gere o Centro Paroquial João Paulo II, a primeira igreja do mundo consagrada a Francisco e Jacinta – dois dos pastorinhos de Fátima. Não é, por isso, difícil de perceber que a associação do doce ao culto dos pastorinhos de Fátima começa também pelo rótulo da embalagem, na forma do logótipo do referido Centro Paroquial. A Igreja cedeu os direitos de utilização da imagem ao pasteleiro e, como contrapartida, vende caixas de “pastorinhos” no bar de apoio à igreja e noutros pontos espalhados pela cidade. A receita é mais uma ajuda preciosa para pagar a dívida que ficou da construção da igreja.
“A ideia veio do senhor padre José Maria Cortes, que há cerca de dois anos sugeriu-me que criasse um doce conventual”. Domingos Barreto aceitou o repto e, como “não tinha experiência” na confecção daquele tipo de doçaria, foi “de tentativa em tentativa”, desenvolvendo o bolo “por fases”.
“A primeira amostra dei a provar a familiares, que não ficaram muito agradados com o sabor”, relembra. No entanto, o pasteleiro não foi de desistir e, entre tachos e panelas, foi adicionando “mais açúcar aos ingredientes”. Por fim, recebeu a aprovação de todos, não só dos familiares, como também dos clientes da sua pastelaria.
“A gila e amêndoa são dois dos ingredientes do queque, ao qual acrescento açúcar e gemas de ovos”, revelou o pasteleiro. “O resto não posso dizer. Está no segredo dos deuses”, rematou.
Sem fechar totalmente o jogo, Domingos Barreto afiançou que “o produto é genuinamente caseiro e demora em média duas horas a fazer”. Sendo confeccionado diariamente no forno da pastelaria. O cliente pode saborear o doce conventual “logo pelas 10 horas da manhã”, altura em que “saem quentinhos e saborosos”.
