Arquivo: Edição de 30-08-2006
SociedadePSD promove debate em Azambuja sobre privatização da água
“Queremos águas transparentes e a um preço justo”
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O PSD de Azambuja receia que a factura da água dispare no concelho se a gestão passar para as mãos dos privados. |
“Em Alenquer a água foi privatizada e desde então não pago menos de 30 euros de mensalidade. Em Azambuja vai ser a mesma coisa?” A pergunta foi feita por um munícipe na noite de sexta-feira, 25 de Agosto, no auditório municipal, em Azambuja, durante a sessão de esclarecimento sobre a privatização da água organizada pelo PSD local, que contou com a presença de três dezenas de cidadãos.
Jorge Augusto e Angelina Menúria, moradores em Azambuja, quiseram saber se a factura também vai subir na residência que têm na vila, mas ficaram sem uma resposta concreta.
“Não sabemos ao certo o aumento que as pessoas vão sentir. São exactamente esses espaços em branco que nos preocupam”, respondeu o presidente da Comissão Política Concelhia de Azambuja.
Para Luís Leandro, ainda que o valor da tarifa de água não dispare inicialmente, todos os serviços inerentes correm o risco de registar um aumento significativo, como aconteceu no concelho vizinho de Alenquer.
Para o PSD o argumento da maioria socialista, de que a câmara não tem capacidade para gerir o sector, é uma falsa razão até porque nesse caso há muito que já o deveria ter assumido. “A questão das águas não é partidária. Queremos apenas águas transparentes a um preço justo”, afirma o vereador do PSD.
António José Matos considera que não faz qualquer sentido que a câmara esteja disposta a alienar um património sem efectuar um estudo económico prévio, como mandam as regras da boa gestão. “A autarquia nem sequer sabe quanto consome de água”, realça Luís Leandro, adiantando que os consumos não contabilizados ascendem a 46 por cento.
Para o munícipe António Pires há uma explicação para esta situação. “Os jardins não têm contador de água, tal como as bocas-de-incêndio”, alerta.
Para o PSD, a decisão de privatizar o sistema de águas é uma forma de encaixar dinheiro fácil através das transferências que estão previstas por parte da empresa que vencer o concurso público. A primeira ronda os 200 mil euros.
O destino dos trabalhadores do sector das águas e saneamento é outra das preocupações do PSD de Azambuja. Os responsáveis consideram que os funcionários da câmara não foram vistos nem achados num processo que os poderá levar a deixar o sistema público e integrar uma empresa privada que através do concurso público terá mais garantias que riscos.
A Comissão Política Concelhia do PSD lamenta que o PS não se mostre disponível para o debate e decidiu por isso informar a população com sessões de esclarecimento sobre o concurso internacional que a maioria socialista da Câmara de Azambuja pretende lançar.
O abaixo-assinado que o PSD está a promover, com a colaboração de alguns estabelecimentos comerciais, servirá para travar o processo na Assembleia Municipal de Azambuja de 15 de Setembro e partir para o referendo sobre o assunto. A ideia é que possa ser a população de Azambuja a decidir se a água do concelho deve ser ou não entregue a uma empresa privada.
As últimas três sessões de esclarecimento organizadas pelo PSD em todo o concelho realizam-se a 30 e 31 de Agosto em Alcoentre e Manique do Intendente e a 1 de Setembro em Aveiras de Cima com início às 21h30.
