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Arquivo: Edição de 23-11-2005

Sociedade

Hospitais e centros de saúde do distrito sem especialistas
Quem quer dentista paga

Hospitais e centros de saúde do distrito não têm dentistas nos quadros mas trabalha-se na higiene oral. Arrancar um dente só no mercado privado.

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O distrito de Santarém é um dos cinco a nível nacional onde as populações são obrigadas a recorrer a dentistas privados porque esta especialidade não existe nos serviços de saúde públicos, revela um levantamento da Ordem dos Médicos Dentistas. Os restantes são Viana do Castelo, Guarda, Viseu e Portalegre

De acordo com o “Levantamento informativo efectuado nos centros de saúde e hospitais do continente” pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), e que foi apresentado quinta-feira no XIV Congresso destes profissionais, nove em cada dez centos de saúde não tem médicos dentistas e sete em cada dez hospitais sofrem da mesma carência.

A situação é pior nos cinco distritos citados, dado que nenhum dos hospitais ou centros de saúde que servem estas populações tem esta especialidade.

O coordenador da Sub-Região de Saúde de Santarém, Fernando Afoito, confirma que não há sequer quadros de pessoal para médicos dentistas nos centros de saúde e a especialidade não entra também nas contas dos hospitais públicos do distrito.

Mas ressalva que “Santarém não está a zero nesse campo”. Está em curso há cinco anos um programa de higiene oral, garantido por técnicos habilitados, inicialmente destinado às crianças em idade escolar. Já este ano foi alargado a grávidas e utentes de centros de recuperação infantil.

“Temos dez higienistas orais que fazem a cobertura em onze centros de saúde – Benavente, Salvaterra, Coruche, Cartaxo, Rio Maior, Almeirim, Torres Novas, Tomar, Entroncamento, Fátima e Ourém”, explica Fernando Afoito.

Para garantir o serviço nos restantes centros de saúde, a Sub-Região de Saúde contratou médicos dentistas. “Só em Santarém temos contrato com cinco”, diz o mesmo responsável.

O trabalho feito é sobretudo de prevenção de cáries e manutenção da higiene oral. A partir daí, dentista só mesmo no mercado privado. Onde por vezes se paga o serviço a peso de ouro.

O levantamento agora efectuado pela OMD actualiza um anterior, realizado em 2001, e revela que, em relação à oferta de tratamento em saúde oral, “a situação não evoluiu, antes pelo contrário, agravou-se”.

A OMD salienta que os médicos dentistas “apenas podem exercer as suas funções como profissionais liberais, uma vez que não existe legislação que os enquadre no Serviço Nacional de Saúde”.

O levantamento da OMD abrangeu 410 estabelecimentos de saúde, repartidos por 79 hospitais e 340 centros de saúde, dos 18 distritos de Portugal continental.

Tendo em conta todos os estabelecimentos de saúde inquiridos, “apenas em 11 por cento dos casos existe a especialidade” de medicina dentária ou estomatologia, o que representa uma redução em relação a 2001", conclui a OMD.

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