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Ligaram-lhe no próprio dia a informar que a acção seria gratuita e obrigatória
Idosa foi a rastreio de AVC e acabou convencida a comprar colchão

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Foi chamada a um rastreio de AVC e acabou convencida a comprar um colchão de 5.800 euros. Maria Manuela Silva, 70 anos, tem agora uma prestação de 163 euros que não sabe como irá pagar.

Edição de 2008-01-03
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Uma idosa do Porto Alto, concelho de Benavente, foi chamada para um rastreio de AVC (Acidente Vascular Cerebral) nas instalações da Associação Recreativa do Porto Alto (Arepa) e acabou vítima de uma venda agressiva que a fez adquirir um colchão no valor de cinco mil oitocentos e oitenta euros.

Na manhã de 15 de Dezembro Maria Manuela Silva recebeu um telefonema. Do outro lado falaram-lhe de um postal que alegadamente deveria ter recebido em nome da Cruz Vermelha a informá-la da realização do rastreio obrigatório e que deveria dirigir-se às instalações da associação pelas 17h00. Maria Manuela Silva foi informada de que seria grátis e acedeu.

Ao chegar às instalações da Arepa, Maria Manuela Silva deparou-se com um cenário que lhe pareceu estranho, mas nunca imaginou o que a esperava. “Lá dentro não havia máquinas nenhumas. Só ao fundo pavilhão se viam colchões ortopédicos e outros electrodomésticos tapados com panos brancos”, relembra ainda perturbada.

A idosa mostrou as análises que lhe tinham pedido, mas depressa se apercebeu de que não se trataria de um rastreio médico. “Depois de olhar para os papéis uma senhora perguntou-me como estava o meu colesterol e como tinha os ossos. Respondi que tinha os ossos fracos e foi aí que chegou um homem que me levou pelo braço até à zona dos produtos”, conta.

Maria Manuela deixou sempre claro que não pretendia comprar qualquer bem, mas o homem insistiu que visse um colchão eléctrico e que o experimentasse acrescentando que lhe oferecia outros produtos de lar e faria a retoma do colchão que Maria Manuela tinha em casa. Perante a insistência do homem, a idosa, de 70 anos, acabou por ceder. Garante que ficou tonta depois das movimentações do colchão articulado. Sentiu-se mal e foi aí que lhe pediram para assinar uns documentos. Assegura que estava confusa quando assinou os papéis com letras muito pequeninas. Como não tinha os documentos na sua posse dois funcionários insistiram que a acompanhariam até à residência, o que aconteceu para desespero de Maria Manuela Silva. “Seguiram-me até casa”, enfatiza.

Na segunda-feira, depois de ter caído em si, a idosa enviou um documento à empresa Ponto Crescente para anulação do contrato. À noite recebeu um telefonema em que alguém lhe pedia para renovar o contrato “para não ter problemas graves”. Não voltou atrás, mas recebeu outro telefonema para marcar o dia de entrega da mercadoria. Duas almofadas, um ar condicionado, um ferro a vapor com caldeira e o colchão.

Depois de anular o contrato com a Ponto Crescente, Maria Manuela Silva recebeu um novo documento de uma empresa financeira a informá-la de que a primeira prestação seria cobrada logo em Janeiro. São 36 prestações de 163,33 euros que a idosa não tem como pagar. “O que é que eu fiz à minha vida?”, pergunta-se de lágrimas nos olhos. Maria Manuela Silva teme pela sua segurança e espera conseguir a anulação do contrato com a empresa de créditos.

A idosa garante que procurou saber junto da direcção da Arepa o que se tinha passado e foi-lhe confirmado que o espaço foi alugado a uma empresa de vendas e nunca à Cruz Vermelha para a realização de um rastreio. O MIRANTE tentou contactar a empresa para obter alguns esclarecimentos, assim como a Arepa, o que até ao fecho da edição não foi possível.

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